Conhecido como importante instrumento de sustentabilidade financeira empresarial, o capital de giro pode ser potencializado sob a luz do conceito ESG (Meio Ambiente, Social e Governança).

Em pesquisa de 2022, realizada pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo (Simpi), encomendada ao Datafolha, foi mostrado que 43% das pequenas e micro indústrias brasileiras não tinham capital de giro suficiente para manter os negócios.

Muitas empresas já enfrentaram o problema dos gastos que ultrapassam os ganhos mensais, o que se torna em muitos casos em um ciclo repetitivo em que o negócio literalmente “sobrevive” no mercado.

Com ampla experiência no mercado corporativo, atuando como consultor frente à MORCONE Consultoria Empresarial, atendendo inúmeros segmentos e portes de negócio com ênfase às empresas familiares e, como conselheiro consultivo, hoje quero abordar sobre a gestão de capital de giro unido ao ESG como poderoso instrumento de longevidade às empresas.

Capital de giro e sustentabilidade – combinação certa para o sucesso empresarial

O capital de giro também é conhecido como o “centro de decisões” da empresa, pois se trata de um valor de reserva necessário para quitar as obrigações financeiras em determinado período, o que é imprescindível em casos de falta de dinheiro no caixa; problemas com queda de vendas; casos de dificuldades na busca por investimentos, etc.

Warley Wanderson Couto, especialista em Gestão de Controladoria, define a gestão do capital de giro como atividade que envolve a cuidadosa administração dos ativos circulantes: o dinheiro disponível em caixa e os recursos que podem ser rapidamente convertidos em dinheiro, como contas a receber e estoques.

De acordo com Couto, existem dicas infalíveis para a gestão do capital de giro, tais como:

  1. Fluxo de Caixa – planeje com antecedência a necessidade de capital de giro;
  2. Estoques – reduza os custos de armazenamento e evite a obsolescência do estoque;
  3. Crédito – implemente políticas de crédito rigorosas e defina termos de pagamento claros;
  4. Negociação – Negocie com os fornecedores prazos de pagamento mais longos ou descontos;
  5. Cobrança – Tenha um processo de cobrança ativa para lidar com os pagamentos atrasados;
  6. Gestão – Faça o monitoramento contínuo do capital de giro da sua empresa.

Apesar de parecer algo óbvio à gestão empresarial, é comum atender gestores com dificuldades relacionadas à administração da empresa, com destaque para o capital de giro.

A adoção do ESG pelas empresas proporciona diversos benefícios aos negócios que vão além da redução de riscos, aumento de valor em longo prazo, melhorias na gestão interna e na comunicação com acionistas, porque também envolve:

  • Atração de novos investidores;
  • Maior conscientização do uso dos recursos;
  • Redução de despesas;
  • Aumento de capital de giro;
  • Melhora do posicionamento no mercado;

Entre outros.

Se o capital de giro é conhecido como instrumento que gera sustentabilidade financeira aos negócios, sob a perspectiva ESG podemos pensar que um dos importantes intuitos dessa métrica de sustentabilidade é gerar não apenas retornos financeiros, mas também impacto social e ambiental positivos, o que leva à importante reflexão de que:

– O ESG tem o desafio de aproximar o propósito organizacional do lucro.

Importância da adoção de estratégias financeiras assertivas para a longevidade do negócio

Um dos pilares da governança corporativa estruturada é a transparência, que de acordo com o IBGC (Índice Brasileiro de Governança Corporativa), consiste em disponibilizar às partes interessadas (stakeholders) as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por leis e regulamentos.

O pilar da transparência não deve se restringir ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a gestão organizacional conduzindo à preservação e à otimização do valor da empresa.

A excelência no gerenciamento financeiro do negócio, com destaque à temática do capital de giro, deve contribuir diretamente para uma comunicação clara e transparente, o que transmite aos diversos públicos confiabilidade e gera boas oportunidades com o objetivo da perenidade do negócio.

O grande desafio potencializado pelo ESG é a demonstração de cuidado por parte das empresas, que vai além das quatro paredes do negócio ou do balanço financeiro.

Torna-se primordial o alinhamento da estratégia financeira à agenda ESG e se antes muitas organizações tinham a crença de que adotar esse conceito de sustentabilidade poderia “empatar” os resultados financeiros, hoje essa aliança é compreendida pela maioria das organizações como uma alavanca para o sucesso do negócio.

Mas ainda há resistências…

Com a popularização do ESG, o diretor-executivo da BlackRock, Larry Fink, na busca por apaziguar os ânimos, afirmou que a sigla “politizou-se” demais e que embora a BlackRock continue seguindo suas metas e princípios de sustentabilidade, adotaria uma postura mais comedida, sendo assim, na Carta aos Investidores no começo deste ano, não havia nenhuma menção ao ESG.

De acordo com levantamento do HSBC, os fundos de investimento americanos, em um panorama geral, estão menos engajados no assunto. Foram entrevistados 292 funcionários de gestoras ao redor do mundo entre maio e junho deste ano e, neste período, menos de 25% dos entrevistados nos Estados Unidos afirmaram que a sustentabilidade é prioridade em seus investimentos, no ano passado, eram 37%.

E: 44% disseram que, no último ano, passaram a ver menos razões para adotar uma estratégia ESG em suas aplicações.

Essa resistência com ênfase no mercado americano, tem sido tratada como anti-ESG e, além disso, na bolsa, essa onda chegou na forma de fundos temáticos ou fundos anti-ESG que investem em setores excluídos dos fundos sustentáveis.

Mas ainda assim, os fundos anti-ESG apresentam desempenho inferior no mercado e não conseguiram atrair investidores e uma das principais razões que tem espantado investidores, está no fato de que a boa estratégia ESG está intimamente ligada à gestão de riscos e oportunidades com visão de longo prazo.

Sendo assim, fica a reflexão de que o ESG não se trata de um conceito político ou “da moda”, mas um conceito que gera valor e prepara as empresas para o futuro.

Nada está caminhando como deveria – como proceder?

Costumo atender muitos casos de empresas insatisfeitas com seus resultados financeiros e com os rumos que o negócio está tomando.

Infelizmente é comum nos depararmos com empresas que estão levando a gestão financeira como podem, sempre com muita “dor de cabeça” e imprevisibilidade.

Se a organização não vai bem, inicialmente são os relatórios financeiros que irão apontar isso, sendo assim, recomendo a busca por aprendizados e também por profissionais especialistas no assunto, que possam dar um diagnóstico e nortear os possíveis caminhos para o negócio.

A gestão empresarial deveria começar com uma ampla avaliação das tendências ambientais, sociais e econômicas, assim como das principais expectativas e demandas dos públicos externos (stakeholders) e dos impactos internos no negócio e na sociedade.

Cada jornada de sustentabilidade (ESG) deve ser encarada como única a cada empresa e a gestão financeira deve passar por esses pilares em todas as suas complexidades. E se a boa gestão do capital de giro e de outros instrumentos financeiros garante a sustentabilidade de um negócio no mercado, isso pode se tornar ainda mais poderoso sob este conceito que não se trata de “moda”, mas de uma cultura de longevidade empresarial.

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