A inovação está entre os principais debates entre as organizações ao redor do mundo, afinal, a falta deste recurso coloca em jogo a permanência dessas empresas no mercado.

Existem muitas definições sobre o que é inovação, como:

“Inovação é a implementação de um produto, bem, serviço, processo ou método novo ou significativamente melhorado, contribuindo com os resultados dos negócios.”

E também:

“Inovar é transformar novas ideias em resultados concretos.”

Em 2020, o Brasil estava em 57º posição entre 132 países no Índice Global de Inovação (IGI), resultado considerado negativo, pois o país estava dez colocações abaixo da obtida em 2011.

Muitos especialistas em gestão empresarial debatem sobre o que seria inovação hoje no mercado e se realmente as organizações estão preparadas para esse desafio. Aliás, vale compreender sobre os tipos de inovação e suas particularidades.

Inovação de Produtos e Serviços (O que fazemos) – Está relacionada ao desenvolvimento e comercialização de produtos/serviços novos e aos fundamentos em novas tecnologias e vinculados à satisfação dos clientes.

Inovação de Processo (Como fazemos) – Se refere ao desenvolvimento de novos meios de fabricação de produtos ou de novas formas de relacionamento para a prestação de serviços.

Inovação de Negócios (Como se ganha dinheiro) – Está ligada ao desenvolvimento de novos negócios que forneçam uma vantagem competitiva sustentável.

Inovação de Gestão (Como são os relacionamentos corporativos) – Desenvolvimento de novas estruturas de poder e liderança.

Não se pode tratar a inovação apenas como uma necessidade de mercado, é preciso que faça parte da cultura das empresas e para isso o ambiente precisa estimular a criatividade, a colaboração e autonomia entre as pessoas.

Dentre as vantagens de continuamente vivenciar a inovação, estão:

  • Maior satisfação para os clientes;
  • Vantagem competitiva;
  • Maior eficiência na gestão e processos;
  • Ganho de relevância no mercado;

Entre outras.

Empresas que não inovam, morrem – importância de vencer a resistência às mudanças

A inovação está relacionada ao novo e inúmeras pessoas enfrentam a resistência às mudanças.

Há inúmeras razões pelas quais essa resistência ao novo ocorre, sendo o “medo do desconhecido” a principal. Em muitos casos, a organização vivencia posição confortável no mercado e quando vê a necessidade de mudança, a primeira medida costuma ser resistir, afinal, isso coloca em jogo a “estabilidade” diante do mercado.

Antes de qualquer mudança realizada, é preciso que todas as pessoas envolvidas estejam alinhadas em torno da satisfação que proporcionará e o processo passa por algumas etapas:

Benefício – A mudança precisa apresentar uma clara vantagem diante daqueles a quem está sendo apresentada e deve ser percebida como uma melhor maneira de fazer as coisas;

Compatibilidade – A mudança precisará ser compatível com as dores e as experiências das pessoas que irão participar do processo;

Complexidade – A mudança não deverá ser mais complexa do que o necessário, de maneira que as pessoas possam compreendê-la e utilizá-la;

Tentativa – A mudança precisa ser algo em que as pessoas possam realizar tentativas passo a passo, de maneira que possam ser feitos ajustes quando necessário.

Muitas organizações podem perder o “timing” da inovação deixando para depois quando a concorrência já está vivenciando as novidades. Outras acreditam que se inovarem, irão perder sua essência no mercado, quando a identidades e valores corporativos podem se fortalecer ainda mais, como também exemplos ao redor do mundo.

Nokia

Entre as empresas que deixaram a inovação para depois, está a Nokia, empresa finlandesa e uma das Big Techs mais antigas do mundo, que já foi a maior fabricante de aparelhos móveis. Porém não inovou diante da chegada dos smartphones.

Quanto finalmente a Nokia decidiu atualizar o seu dispositivo, já era tarde demais, pois o seu sistema operacional não foi aceito pelos usuários e o Android e IOS já eram os favoritos dos usuários. Em 2013, a empresa vendeu sua divisão de celulares para a Microsoft.

Kodak

Esse é um exemplo clássico, a Kodak liderou o mercado da fotografia nos anos 1980 com as máquinas de filmes fotográficos. Na década de 1990, desenvolveu a câmera digital, mas para não perder as vendas dos modelos analógicos, a Kodak guardou o produto, ou seja, deixou de lado a inovação que ela mesma tinha criado.

Não demorou muito e a inovação que a Kodak ignorou, a concorrência colocou no mercado, o que levou a empresa à perda de competitividade.

Aliás, a Kodak é um bom exemplo do medo da mudança, que a tirou do lugar de destaque no mercado.

Blockbuster

A Blockbuster sobreviveu à transição do VHS para o DVD, mas ignorou um concorrente de peso, que hoje domina o mercado de streaming, a Netflix, que na ocasião, atuava como uma locadora que entregava os filmes em casa.

Em 2000, o CEO da Blockbuster, John Antioco rejeitou uma parceria de negócio com Reed Hastings, fundador da Netflix, para se tornar uma marca online. Aquela era a oportunidade da Blockbuster se reinventar, porém desapareceu do mercado.

Em contrapartida, empresas que inovaram, passaram por cima do “estresse inicial” ao adotar novas estratégias, a se reinventarem no mercado e um bom exemplo é o da brasileira Magalu.

Principalmente na pandemia, a Magalu se reinventou no período da pandemia, apostando na multicanalidade, integrando lojas físicas e e-commerce para atender às necessidades do mercado.

Além disso, a inovação faz parte da gestão da empresa, em que existe espaço para o desenvolvimento de uma cultura focada na inovação e na aceitação dos riscos.

Assim como a Magalu, muitas organizações, principalmente diante do desafio da pandemia global, adotaram metodologias ágeis diante da necessidade de mudar rápido quando não havia tempo o suficiente para compreender os acontecimentos.

Mas inovar não começa pela necessidade de mercado, mas sim, na cultura organizacional e nas pessoas.

Inovação precisa começar na cultura organizacional – Entenda

A cultura de inovação engloba estimular toda a estrutura de uma empresa e isso por meio do estímulo a um ambiente autônomo, em que as pessoas têm liberdade para expressar suas ideias; são elaboradas estratégias criativas e existe flexibilidade para experimentar novas metodologias.

O primeiro passo para criar uma cultura de inovação é estimular as pessoas por meio da liberdade de pensamento, de maneira que possam aplicar livremente seus conhecimentos e ter voz sobre importantes decisões que serão tomadas pelo negócio.

Luiz Buono, fundador da agência de Comunicação Dirigida e Digital Fábrica, enfatiza um ponto fundamental sobre a inovação, ela está pautada nas pessoas e não nas tecnologias:

“Quando se fala em inovação é preciso ter em mente que ela só é feita de uma forma eficiente se a empresa quebrar com as amarras e os modelos de gestão arcaicos. Não adianta ter equipamentos modernos para auxiliar as equipes se a empresa não construir um ambiente colaborativo e multidisciplinar.”

Como o conselho pode ajudar a promover a inovação nas empresas?

Quando se pensa na competitividade, a inovação torna-se uma pauta estratégica fundamental entre os conselhos de administração.

Mônica Pires, coordenadora da Comissão de Inovação do IBGC, reforçou a importância da inserção da inovação na agenda dos conselheiros, mas  pontuou que não se trata de um ativo simplesmente gerado por um comitê:

“A inovação deve vir do topo e seguir para todos da empresa. Deve fazer parte da cultura e DNA das organizações. E isso leva tempo. Envolve tolerância ao erro, ao teste, investimento em capacitação e reforço constante em mensagens provenientes do topo da companhia”, acrescenta.

Qual o tempo dedicado pelas organizações às pessoas, riscos, estratégias e inovação? A demanda não parte do board, porém é papel dos conselhos continuamente incorporar a inovação, parte da cultura da empresa, na definição estratégica presente em todas as frentes de gestão e processos.

 

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