A Inteligência Artificial não é um assunto recente no mundo, mas de alguns anos para cá, mais precisamente durante e após a pandemia, se tornou um dos principais temas debatidos entre as organizações.

Atualmente, as empresas já utilizam a IA em algumas funções, como:

  • Detecção de segurança e ameaças (44%);
  • Conversação (44%);
  • Marketing e vendas (30%);
  • Operações de TI (30%).

Segundo pesquisa realizada pela Bloomberg Intelligence, estima-se que 85% das empresas vão investir no mercado de IA cerca de R$ 1,3 trilhão.

Esse constante avanço e suas inúmeras oportunidades tem feito com que negócios repensem sua atuação em todas as suas esferas e será preciso adotar estratégias que acompanhem essa evolução.

Com ampla experiência no mercado corporativo, como consultor à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, como participante em conselho consultivo, mas também direcionando PMEs e grandes empresas quanto ao uso de novas tecnologias e melhorias de processos, quero falar sobre o impacto da inteligência artificial nos conselhos e como transformar os desafios em boas oportunidades.

Desafios para os conselhos – Redefinindo estratégias conforme as mudanças

A IA está transformando a sociedade e diversos setores relacionados aos negócios, dentre eles, a atuação dos conselhos consultivo e de administração.

Existe muito a ser debatido sobre o tema, por isso, apresentarei aqui alguns insights sobre os principais desafios para os conselhos, de algo que já está acontecendo.

Revendo estruturas preestabelecidas

Em entrevista ao Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), o professor do programa de formação de conselheiros do IBGC, Ricardo Vargas, fez a reflexão de que não é mais sustentável para o conselho realizar reuniões mensais, assim como o conceito de balanço anual, afinal, respostas são obtidas instantaneamente.

Além disso, o especialista fez a menção da atuação das auditorias que trabalham com amostragem e como isso se tornará mais complexo diante da realidade de grande quantidade de dados gerados em segundos.

Parafraseando José Saramago, é preciso “sair da ilha para ver a ilha”, ou seja, o conselho precisa integrar as novas práticas à sua realidade, se atualizar quanto às novas tecnologias e se aplicar em como pode nortear as organizações diante das mudanças.

Tomada de decisão

Contamos com algoritmos avançados e com a capacidade de gerar grande quantidade de dados. As ferramentas de IA fornecem insights valiosos e informações essenciais para nortear as decisões estratégicas dos negócios.

Este tópico está interligado ao anterior, reforçando que entre os desafios para o conselho está se apropriar das oportunidades oferecidas pela IA e não tentar fazer o caminho contrário negando a realidade.

Quando pensamos na atuação do conselho, embora esteja caminhando para uma maior diversidade e pluralidade em sua composição, ainda se tem uma figura do conselho como de pessoas vestidas formalmente em uma grande sala de reunião, deliberando importantes decisões.

O conselho está se descentralizando, esqueça essa figura “tradicional”, pense em um corpo de pessoas de diferentes gerações, linhas de raciocínio, habilidades diversas, se complementando para guiar empresas.

Outra questão em torno da tomada de decisão é o quanto a IA ainda demanda um tratamento quanto às reflexões e impactos sobre as sociedades, aspectos morais e suas aplicações.

Os conselhos, dotados da missão de guardião da estratégia e dos propósitos da empresa, têm o desafio de seguir nessa missão levando em conta as principais tendências tecnológicas da atualidade na obtenção e avaliação de dados.

Lidando com as questões éticas

Junto à evolução proporcionada pelas novas tecnologias, nos vemos diante dos dilemas éticos e morais a respeito da inteligência artificial.

Ela está presente em todas as dinâmicas da realidade da qual fazemos parte. Nos deparamos com ela nas redes sociais, quando utilizamos a biometria facial, quando acessamos chats de atendimentos, serviços de saúde, aplicativos para pedir comida, etc.

Aspectos éticos e legais são uma das principais preocupações com o uso de novas tecnologias, com destaque para a proteção de dados sensíveis dos usuários.

Câmeras de vigilância inteligentes estão posicionadas de maneira imperceptível nas cidades e as pessoas são observadas sem sequer notarem isso; mecanismos capazes de alterar preços após compreenderem o interesse do consumidor pelo produto, entre tantos exemplos da atuação da IA.

É papel dos conselhos de administração estabelecer políticas robustas de gerenciamento de dados, garantindo a privacidade, segurança (ameaças cibernéticas) e a conformidade com as regulamentações existentes em constante revisão como é o caso da LGPD (Lei Geral de Proteção dos Dados).

Aliás, vale ressaltar algumas particularidades quanto ao uso de dados em cada região do mundo, como no caso da União Europeia, em que a regulação da inteligência artificial está mais voltada às pessoas, aos cidadãos, enquanto nos Estados Unidos, a IA está mais focada no mercado business.

As organizações que atuam globalmente precisam repensar em como devem transitar em um cenário de diferentes regulamentações ao redor do mundo.

A transparência e a ética, pilares da governança corporativa e do exercício dos conselhos, serão ainda mais imprescindíveis no momento da deliberação de decisões.

Papel do conselheiro e a necessidade de um novo olhar sobre a evolução da IA

A IA tem transformado os modelos de trabalho, trazido resultados excelentes quanto à eficiência operacional e em gestão, reduzido custos e criado novas oportunidades de mercado.

Toda evolução traz consigo pros e contras e o conselho hoje assume essa tarefa de ajudar as organizações a se posicionarem de maneira “segura” no caminho da evolução tecnológica, relembrando seu propósito, reforçando sua cultura e se mantendo no caminho da integridade, ética e transparência.

Existem algumas orientações-chave aos conselhos diante desse cenário de constante evolução entre as empresas:

– Investimento em conhecimento: é fundamental que o board se mantenha atualizado quanto à IA e tecnologias emergentes para tomar as melhores decisões;

– Atenção quanto aos dados: além da compreensão dos algoritmos utilizados é necessário garantir que a empresa esteja utilizando dados fidedignos que não contenham vieses e, em um caso de viés, se faz essencial ter clareza onde a IA pode ou não ser aplicada;

– Diversidade: como já mencionado, um conselho diverso, inclusive, que tenha membros com expertise em IA e tecnologia é fundamental para decisões mais assertivas dentro da atual realidade;

– Comitê de Tecnologia: já se fala na criação de um comitê dedicado ao monitoramento e avaliação das oportunidades e riscos associados à IA e outras tecnologias emergentes;

– Estratégia de IA: a IA não só deve ser considerada no momento da criação estratégica, como precisa ser o alvo do planejamento estratégico para que se discuta sua incorporação nas estruturas organizacionais de maneira eficiente, que proporcione redução de custos e ambiente favorável à inovação;

– Cultura de inovação: é imprescindível às empresas de diferentes segmentos e portes o exercício da experimentação e adoção de novas tecnologias e dar oportunidade para que os profissionais tragam suas ideias e engajem projetos autorais também é um importante diferencial;

Entre outras.

Os conselheiros têm o desafio de se prepararem para o contexto de avanço da IA, ao mesmo tempo em que assumem o papel de orientar as organizações para a implementação de novos projetos que envolvam essa demanda.

É preciso “abraçar a mudança” e não temer ―, como é comum em qualquer cenário ― e continuar nessa jornada de novas descobertas e ressignificação quanto à própria atuação nas empresas.

Você está se preparando para o que já está acontecendo no mundo?

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