Responsável por definir os caminhos e prioridades que serão seguidos ao longo dos anos, o planejamento estratégico é uma indispensável ferramenta de análise de cenários.

Por outro viés, trata-se do exercício de buscar respostas e, para isso, é fundamental ter certeza de que as perguntas certas estão sendo realizadas.

Com ampla experiência no mercado corporativo, como consultor à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, conselheiro consultivo e responsável pela implantação da governança corporativa e ESG em empresas de todos os portes, hoje o tema é planejamento estratégico, sob o viés dos principais desafios da atualidade.

Planejamento Estratégico – Partindo das perguntas corretas

Dentre as empresas de alto crescimento no Brasil, destaca-se a Kraft Heinz, sendo utilizada como referência quando se fala em planejamento estratégico bem-sucedido. Bernardo Hess, CEO da empresa, acredita que antes do planejamento estratégico, vem a dedicação em realizar as perguntas corretas.

“A função do líder é fazer as perguntas certas. É por isso que o planejamento estratégico que fazemos na Kraft Heinz tem uma característica muito própria: nós dedicamos uma parte do processo a pensar nas perguntas que queremos responder”, enfatiza o CEO.

Segundo Hess, toda articulação em torno da definição do planejamento estratégico deve partir do “Sonho Grande”, movido pelo questionamento: “Aonde queremos estar em cinco ou dez anos?”.

Para ele, mais importante do que pensar em respostas, é extrair o máximo de perguntas possíveis relacionadas ao “sonho grande”. Se o anseio da organização é ser a número 1 no Brasil em determinada categoria e período, por exemplo, deverá formular perguntas, como:

  • Como essa categoria na qual minha empresa atua se comporta na atualidade?
  • Quem são os meus principais concorrentes?
  • Existe hoje em minha empresa capacidade produtiva para crescer da maneira que eu espero?
  • Consigo expandir com capital próprio ou vou precisar de investimento?
  • Os profissionais que atuam comigo têm o perfil adequado para que consiga alcançar o objetivo?
  • Como cada setor no negócio irá interagir e evoluir para chegarmos aonde queremos?

Este exemplo da Kraft Heinz mostra o quanto o foco no planejamento estratégico é fundamental para que grandes empresas se destaquem no mercado. Porém, com as mudanças nos últimos anos e com a agenda ESG em foco, pensar no futuro se torna mais desafiador, pois as empresas precisam se antever aos riscos e oportunidades que as transformações socioambientais têm trazido ao mundo.

Agenda estratégica precisa contar com governança e ESG

Exemplo: Sua empresa é uma indústria alimentícia localizada no interior de São Paulo, você e os times de liderança estão pensando em expandir operações para outros Estados brasileiros. Está tudo certo com o seu objetivo ou com o seu “sonho grande”, mas surgem as seguintes perguntas:

  • Qual o nível dos impactos provocados hoje pela sua empresa no meio ambiente?
  •  Quais ações sociais sua empresa têm realizado?
  • Existe diversidade no conselho administrativo ou consultivo, assim como nos times de trabalho?
  •  Existe grande disparidade salarial hoje?

Entre tantas outras.

Não basta ter um grande objetivo e trabalhar em torno dele, é necessário que as empresas repensem sua atuação “hoje”, se possuem uma governança corporativa estruturada, se o conceito ESG já se faz presente (muito além dos relatórios), se estão caminhando para o amadurecimento de seus projetos, entre tantos fatores.

O ESG no planejamento estratégico é hoje uma das principais demandas entre as organizações, tanto quanto suas ações direcionadas à implantação de novas tecnologias e preocupação em automatizar processos e tarefas.

Meu papel enquanto conselheiro e também consultor muitas vezes está em orientar gestores a olharem, antes de qualquer coisa, para a realidade do negócio, para a cultura que tem sido vivenciada, se aquilo que professam como missão, valores e propósito está alinhado com a atual realidade do mundo, entre outros fatores.

Vale salientar a necessidade de que o planejamento estratégico esteja lado a lado com a gestão de riscos e que exista preparo por parte de todos os envolvidos em mudanças efetivas que começam de dentro para fora.

Basta valorizar a comunicação externa, o marketing junto aos clientes e stakeholders e internamente não estar devidamente estruturado para “abraçar” todo o processo da mudança?

Obviamente não, porém infelizmente muitas organizações ainda encaram a mudança de maneira a dispor menos energia no processo, explico melhor, qualquer mudança e todo o processo que envolve pensar a sustentabilidade no planejamento estratégico, envolve “estresse” ao sistema organizacional e muitas empresas, movidas pelo imediatismo, tentam pular as etapas da jornada que leva às mudanças e o resultado disso, lá na frente, é o que vemos principalmente quanto à fragilidade da reputação da marca no mercado.

Os indicadores ESG precisam fazer parte do planejamento estratégico organizacional, tais como:

Emissão de carbono – Este acompanhamento é primordial para avaliação do impacto da empresa ao meio ambiente e quais medidas são necessárias para controlar a situação;

Diversidade e inclusão – Um ambiente diverso e inclusivo compreende a responsabilidade social corporativa;

Segurança no trabalho – É fundamental analisar taxas de acidente de trabalho, implementar medidas de prevenção, capacitação de pessoas e ter indicadores de segurança e saúde ocupacional;

Medidas anticorrupção – Para este fim, a governança corporativa e um de seus importantes pilares, a ética, precisa ser parte da realidade da empresa, os indicadores ESG são essenciais para manter a transparência no ambiente corporativo;

Gestão de resíduos – Como a organização administra seus resíduos sólidos, líquidos e gasosos é importante, o que compõe as exigências presentes em regulamentações ambientais;

Relacionamento com a comunidade – Pensar nos impactos sociais que a empresa tem sobre a comunidade na qual está inserida é outro indicador ESG fundamental, o que envolve apoio a organizações locais, parcerias com instituições sociais, etc.;

Ética nos relacionamentos – Na interação com os públicos de interesse (fornecedores, acionistas, consumidores, entre outros), a ética nos relacionamentos é uma premissa fundamental.

Considerar o ESG no planejamento estratégico é um grande desafio às empresas à medida que as convida a rever suas estruturas de gestão e a vivenciarem em suas práticas o conceito, “pular etapas” nestes casos pode se tornar um grande risco às empresas, pois as dinâmicas de seus relacionamentos no cenário corporativo dependerão, além de sua transparência, da convicção por trás de suas ações e propósito.

Valor da atuação dos conselhos para promover a sustentabilidade no planejamento estratégico

Os conselhos de administração e consultivo têm a missão de preparar a empresa para as mudanças futuras e auxiliar no planejamento estratégico.

Um bom conselho é sinônimo de uma empresa bem preparada, com práticas de governança atualizadas diante das contínuas mudanças no mercado e no mundo.

Promover a sustentabilidade no planejamento estratégico também é papel dos conselhos. Pensar estrategicamente é uma das premissas da atualidade, assim como se antever às mudanças, ter a capacidade de ler rapidamente os cenários e mudar direcionamentos.

O conselheiro hoje precisa estar atento às mudanças, continuamente reciclar seus conhecimentos e compor o que se entende como “conselho estratégico”.

A governança e o ESG têm mudado a realidade das empresas ao redor do mundo, mas o importante questionamento é:

Sua empresa está pronta para encarar as mudanças que começam internamente e transcendem para o mundo?

 

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