A comunicação corporativa pode ser compreendida como um conjunto de atividades que envolvem o gerenciamento e a integração de todas as comunicações (internas e externas) em uma organização.

Cada empresa, dentro de uma estratégia de comunicação corporativa, tem o dever de emitir mensagens ao seu público-alvo (colaboradores, parceiros, jornalistas, entre outros).

Uma única mensagem precisa ser encaminhada a todas as partes interessadas na missão de transmitir conhecimento, credibilidade, ética e um conteúdo que seja relevante.

No cenário atual, diante de tantos acontecimentos e mudanças, incluindo uma realidade digital cada vez mais imersiva, empresas têm o desafio de mostrar “consistência” em sua mensagem e tem sido cada vez mais comum perceber a dificuldade por parte das empresas na sincronização da comunicação que atenda às necessidades de todas as pessoas envolvidas em seu contexto.

O resultado de uma estratégia de comunicação corporativa falha tem sido observado pela ausência de uma mensagem eficiente, que gera nos públicos a sensação de que falta clareza na informação.

Governança Corporativa – o elo que torna a comunicação organizada e potente

Segundo a publicação Caderno 16 – Governança corporativa e boas práticas de comunicação do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), é evidenciado que a adoção dos princípios: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa é crucial para desenvolver uma comunicação empresarial potente.

Também é evidenciada pelo órgão, a necessidade de que todos os envolvidos na comunicação corporativa estejam conscientes sobre a importância de uma boa comunicação e de seu papel, incluindo, estabelecer regras e diretrizes que assegurem a simetria e transparência das informações.

Quando a estratégia de comunicação corporativa é deficiente em uma organização ou quando um problema emerge, o máximo que as organizações conseguem fazer é emitir comunicados, que já não podem mais responder às inúmeras falhas de comunicação, resultado de uma governança corporativa frágil e de um corpo de conselheiros que não têm desempenhado o seu papel como deveria.

A potência da estratégia de comunicação corporativa passa pela governança e, com essa base, fica muito mais fácil para uma organização contar a sua história para o mundo.

Storytelling aplicado às organizações e como isso impacta na criação estratégica

A empresa global de análise e consultoria, Gallup, mostrou em pesquisa que nos últimos dez anos, os profissionais da geração Y *Millennials (faixa etária entre 20 e 40 anos de idade), valorizam profundamente o propósito em seu trabalho.

Além disso, o especialista em assuntos de cultura e mudança da mesma consultoria, Jake Herway, chegou a afirmar que sem conexão emocional com o trabalho que vem de um propósito pessoal, a realidade de uma cultura corporativa engajada, de responsabilidade compartilhada, não se consolida, levando ao contínuo aumento da rotatividade de pessoas entre as empresas.

O desafio das organizações está em transformar sua missão, visão e valores em estratégias articuladas que se integram ao dia a dia das pessoas e isso é possível por meio do storytelling.

A cultura das empresas ao redor do mundo foi drasticamente impactada pela pandemia, quando tiveram que reinventar seus processos de trabalho, inclusive, a comunicação interna com os seus times.

Atualmente, muitas organizações adotaram o modelo de trabalho remoto ou híbrido, portanto, novas maneiras de se comunicar fazem parte de sua realidade, com exemplo dos sistemas integrados como Asana, Trello, Notion, entre tantos outros.

O storytelling aplicado às organizações demanda a participação de todas as pessoas envolvidas na empresa em diferentes esferas. Lideranças, times de comunicação em diferentes frentes, recursos humanos, alta gestão e todos aqueles que compõem os públicos de interesse da empresa, precisam fazer parte da construção da narrativa organizacional.

Orientações para a criação de um storytelling organizacional poderoso

A boa comunicação permeia todas as relações em uma organização:

  • Relações públicas;
  • Relações com a imprensa;
  • Comunicação interna;
  • Gestão de mídias sociais;

Entre outras áreas.

Sendo assim, existem pontos fundamentais na jornada para a criação de um storytelling que crie conexão com os diferentes públicos de uma organização.

Conheça as pessoas envolvidas no negócio

Muitas organizações têm focado recursos para aprofundar os seus relacionamentos com diferentes públicos, não apenas com o propósito de comunicar sua cultura, mas também de obter autoconhecimento por meio do relato de seus colaboradores.

Como a cultura de uma organização impacta na experiência de seus colaboradores? O que cada pessoa considera um ponto forte onde atua?

Promover encontros com todos os times de diferentes áreas e ouvi-los é importante para o exercício de autoconhecimento por meio de suas experiências atuando na empresa.

Conseguir fazer com que as pessoas sintam-se confortáveis é algo fundamental, mas para isso, serão necessárias abordagens que promovam a abertura ao diálogo.

 Definição de parâmetros claros ao contar uma história

Será preciso definir o norte para construir uma narrativa organizacional poderosa.

  •  Quem está contando a história;
  • Por que essa história está sendo contada? Qual a relevância dela?
  • Quando e onde a história se passa?
  • Quais pessoas estão envolvidas na narrativa?
  • O que sua organização deseja alcançar?
  • Quais desafios tem enfrentado?

Para construir uma comunicação clara, alinhada com todas as esferas um em negócio, será preciso reunir essas informações.

Tudo precisa fazer sentido às partes interessadas, por isso, o storytelling precisa ser bem estruturado, de maneira que não restem dúvidas no público e mesmo aquelas que surgirem no decorrer da existência da empresa no mercado, precisam apresentar as respostas antecipadas ao público.

As maiores marcas do mundo se destacam por uma estratégia de comunicação corporativa sólida, não existem várias histórias “desconexas” sendo contadas, trata-se de uma mesma narrativa, que em embora possa ser relatada por diferentes perspectivas resultará na autenticidade da história.

Boas histórias precisam ser autênticas

Uma organização pode ter uma história parecida com alguma outra, mas nunca será a mesma história. Assim como cada ser humano tem uma história única, o mesmo ocorre com as empresas.

A questão em torno de uma narrativa que seja poderosa e que crise conexão com o público é o quanto aqueles elementos são autênticos.

O que uma organização tem de tão único que a diferencie das demais em seu segmento de atuação? Isso não se aplica apenas ao relacionamento organizacional com os clientes, mas com todas as partes interessadas do negócio.

Qual a história e conexão emocional que essa marca constrói com o público? Um exemplo importante de empresa que conta boas histórias é o Google. Vamos utilizar como objeto de análise a campanha Get back to what you love.

Não tem nada tão elaborado nessa história, apenas a imagem do buscador, trazendo referências de uma volta ao contato presencial depois de uma fase conturbada de pandemia global. O que demonstra que, em muitos casos, não é preciso uma mensagem “mirabolante”, mas simples, que se torne relevante ao público porque gera identificação.

Storytelling precisa apresentar um resultado

Uma boa história deixa marcas. Qual é a lição que uma organização deixa para o seu público, por exemplo? Quais reflexões de relevância?

O propósito por traz de uma empresa, suas crenças, sua maneira de enxergar o mundo, precisam ser mostrados de forma que gera conexão.

Mostrar como os processos são realizados em um negócio é algo que sempre gera bom retorno, e quando a organização tem uma governança corporativa sólida, em que seus acionistas estão inteirados sobre tudo o que está acontecendo, existe transparência, equidade, as pessoas em sua pluralidade têm voz e isso se torna ainda mais potente.

Consistência e coesão

Um dos graves problemas entre as organização é a falta de consistência em seu storytelling e a ausência de coesão das informações.

Em muitos casos, a mesma organização repassa mensagens distintas a cada um de seus públicos, gerando incompreensão por parte de todos. Afinal, não ter um DNA claro e não conseguir alinhar as inúmeras ferramentas de comunicação de maneira que falem uma mesma língua pode se tornar um caos.

Engajamento, mas não a qualquer custo

Engajar os públicos é uma necessidade, mas não a custo daquilo que é tão fundamental às organizações que é a sua reputação no mercado.

Quando a empresa consegue se mostrar vulnerável no sentido de expor um acontecimento e o quanto a afetou e o que foi aprendido com isso, por exemplo, consegue fazer dessa história algo a ser compartilhado, porque a honestidade gera aproximação.

Muitas organizações desejam engajar públicos externos, quando desconhecem as histórias por trás do público interno que a compõem.

Antes de impactar o contexto externo, não seria necessário repensar a comunicação interna e o quanto às pessoas estão engajadas na cultura da empresa?

Para criar estratégia de comunicação corporativa aja sempre com transparência

A transparência na Governança Corporativa é um dos pilares que permeia todos os demais (Equidade; Prestação de Contas (Accountability) e Responsabilidade Corporativa) e em qualquer estratégia é essencial.

Assim como o S *Social do ESG (Environmental, Social and Governance), também precisa fazer parte dos outros dois princípios, afinal, organizações são formadas por pessoas para atender pessoas, e falar com cada uma delas por meio de uma comunicação eficaz sempre será um desafio.

Quando uma organização conta com um sistema de governança bem estruturado, com um corpo de conselheiros comprometido com a seriedade e sabe engajar as partes interessadas por meio de narrativas reais, o resultado sempre será satisfatório.

Qual é a história que sua organização tem contado ao mundo? O Storytelling está presente em suas estratégias de comunicação?

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