O ESG tem transformado empresas ao redor do mundo e, para muitos negócios, ainda é um conceito distante da realidade, ou seja, não faz parte da cultura organizacional.

Mas não se pode falar em expansão, tampouco em sustentabilidade empresarial, sem adotar práticas efetivas de ESG, porém, como as empresas que ainda estão repensando suas estruturas de gestão e participação no mercado, podem se movimentar quanto a essa demanda?

Com ampla experiência no mercado corporativo, à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, como conselheiro consultivo e responsável pela implementação de estratégias ESG e de governança corporativa em empresas de diferentes segmentos e portes, hoje trago algumas reflexões e conselhos quanto à demanda da sustentabilidade.

Estratégias de ESG – quais os impactos e por onde começar?

estudo “Como está a sua agenda ESG?” desenvolvido pelo Pacto Global da ONU em parceria com a Stilingue e com a consultoria Falconi, foi realizado com a participação de 190 organizações, da iniciativa privada, do setor público e do terceiro setor.

O levantamento apontou que 78,4% dos participantes responderam que inseriram o ESG na elaboração das suas estratégias de negócio. Dentre os motivos que levaram as empresas a adotarem estratégias de ESG foi apontada a preocupação com os impactos ambientais e em se construir uma economia sustentável.

Porém, o maior impacto percebido por 70% das empresas que implementaram a agenda é em relação à reputação e imagem.

Ainda que muitas organizações não estejam amplamente conscientes acerca do ESG e do quão necessário é diante de um mundo em contínuas transformações, essa é a realidade e a demanda atual, o que requer da alta gestão um preparo cada vez maior para lidar com a tomada de decisões e com a agilidade do surgimento de novas tecnologias e metodologias.

Abaixo falo um pouco sobre os passos para a implementação de estratégias de ESG eficientes.

ESG é uma grande oportunidade

Alguns benefícios são compartilhados por empresas que já aplicam o ESG no centro de suas estratégias, como a maior capacidade de aproveitar os recursos de maneira inteligente, a fidelização e conquista de novos clientes, maior capacidade de inovação, retenção de talentos e, claro, a atração de novos investidores.

Estratégias ESG estão muito além de custos, pois representam uma grande oportunidade de crescimento, maior visibilidade diante dos stakeholders e maior capacidade de antifragilidade, ou seja, as empresas tornam-se mais preparadas não apenas para resistir aos momentos de crise, mas para se desenvolverem diante deles, expandindo sua atuação.

Quem é a sua empresa hoje?

Em muitos casos em minha atuação como consultor, era chamado para ajudar na implementação da governança corporativa e ESG, porém em grande parte dos casos, a empresa não conseguia mensurar com clareza sobre seu posicionamento atual no mercado.

É fundamental a realização de um mapeamento para compreender como a empresa está posicionada no mercado em cada uma das siglas ESG, assim, serão percebidas as necessidades e oportunidades diante da agenda. São orientadas ferramentas e métodos com a finalidade de obter estas importantes informações.

Criação de iniciativas internas

Uma das maneiras de vivenciar o ‘S’ do ESG é por meio da criação de iniciativas internas que estimulem as pessoas a se sentirem mais motivadas, pertencentes ao ambiente em que atuam.

Um bom exemplo é um programa de saúde mental oferecido aos profissionais, que proporcione um convênio voltado ao atendimento junto a especialistas desta área ou até mesmo alguma iniciativa interna de trabalho terapêutico em grupo com as pessoas.

Programas que visam o crescimento dos profissionais na empresa, convênios com universidades, entre tantos outros, são importantes na vivência prática do ESG e de uma estrutura de governança sólida.

Avanço progressivo na implantação ESG

Para muitas organizações, estratégias de ESG ainda soam distantes quando se pensa em sua realidade, mas traçar objetivos com ações de curto, médio e longo prazo, podem ajudá-las a obter resultados concretos quanto a este avanço.

É fundamental pensar nos itens relevantes à empresa e aos seus stakeholders, sendo assim, considere que o ESG precisa ser implementado levando-se em conta as especificidades de cada empresa. Como cada sigla do ESG impacta cada um dos públicos relacionados ao negócio? (clientes, profissionais, fornecedores, etc.)

Alta liderança consciente da demanda ESG

As lideranças precisam estar conscientes da demanda ESG, assim como os conselhos consultivo e de administração.

Para o engajamento das pessoas, é essencial que os CEOs, diretores, gerentes, líderes, conselheiros estejam cada vez mais atualizados quanto a essa nova realidade.

Vale ressaltar que o ESG é uma jornada que precisa começar de dentro para fora.

Treine ser ESG até que isso se torne tão natural quanto respirar!

Se pararmos para analisar, inúmeras organizações precisaram incorporar estratégias ESG quando ainda não compreendiam tão bem sobre o tema ou quando era algo que parecia mais uma “necessidade proveniente da pandemia”.

Muitas empresas precisaram rever sua cultura, repensar sua atuação no mercado, objetivos, interação com seus stakeholders, ou seja, de alguma maneira era necessário começar e nem todas ainda compreendem tão bem ou vivenciam com tanta naturalidade o conceito ESG, assim como a governança corporativa por tantos anos também soava como algo distante da realidade de empresas, que acreditavam que era preciso ser “grandes no mercado”, quando o que precisavam eram ser “estruturadas” e capazes de lidar melhor com a volatilidade do mercado.

O ESG ainda é vivenciado por muitas organizações como um “treinamento”, como regras que estão sendo implementadas e, como especialista, afirmo que elas podem e irão falhar em algum momento, assim que compreenderem que é necessário que suas ações estejam alinhadas com a sua cultura.

Mas este “treinamento” é necessário e o mais indicado é que seja realizado com o apoio de especialistas competentes e maduros quanto ao assunto e implementação de estratégias de ESG e governança estruturada.

Em algum momento, as empresas perceberão que não se trata de mensurar números em relatórios, mas de serem sustentáveis de fato.

Entenderão que os relacionamentos com seus diferentes públicos são fundamentais e que lidar com seres humanos requer contínuo aperfeiçoamento de habilidades socioemocionais.

Aprenderão, e muitas vezes falhando, que estratégias e decisões deixam marcas e algumas delas podem ser um tanto arriscadas colocando em jogo aquilo de mais importante: sua reputação.

A jornada ESG é uma “aventura” para muitas empresas e no início pode realmente parecer um tanto mecânico ou desconfortável, mas a questão é continuar aprendendo.

Treinamentos externos ou até mesmo promovidos pela própria liderança podem ser muito importantes no processo de fortalecimento da agenda ESG em todas as dinâmicas que compõem a empresa.

Empresas consideradas de alto padrão ESG no mundo são aquelas que entenderam que o ESG é uma cultura viva, são aquelas que “respiram” dentro dessa realidade.

Treine o ESG em suas estruturas, passe pelo processo que a jornada impõe, inclusive, o da resistência ao novo. Em algum momento você compreenderá que não se trata de uma “moda” ou de uma “etiqueta corporativa”, mas de uma maneira de ser no mercado que vá além dos números porque impacta sociedades e gerações.

Treine o ESG até ser realidade, até sua empresa respirar este conceito como parte de sua essência.

 

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