Os critérios ESG têm se tornado cada vez mais importantes no mercado internacional e, no Brasil, têm ganhado cada vez mais força.

Investidores têm buscado cada vez mais por parcerias com empresas que realmente sejam comprometidas com o desenvolvimento sustentável.

Com mais de 35 anos no mundo corporativo e desde 2015 à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, hoje trago um artigo sobre o avanço do conceito ESG no Brasil.

Conceito ESG não passou a existir na pandemia

Embora tenha ganhado força em 2020, impulsionado pelos Estados Unidos e Japão em uma tentativa de pressionar o mercado financeiro, o conceito ESG existe desde 2005.

No ano de 2019 no Brasil não havia muitas menções ao tema, eram por volta de 3,4 mil citações falando principalmente de como os demais países estariam aplicando essa nova tendência.

Mas assim como nos demais países, o tema só ganhou força realmente no contexto pandêmico, por conta das bruscas transformações para conter o cenário de contaminações na tentativa de valorizar cada vez mais as pessoas, natureza e a governança entre as organizações (de todos os portes e segmentos).

2020 como um divisor de águas

O ESG no Brasil se tornou assunto recorrente em 2020 e falava-se cada vez em uma preocupação com fatores ambientais. Alguns temas já se tornavam uma tendência como: “investidores”, “fundos ESG” e “melhores práticas de governança corporativa”.

Em pesquisa realizada com membros da Rede Brasil do Pacto Global, 72% dos participantes afirmavam já conhecer sobre o assunto em 2020.

Em início de pandemia, o Brasil já contava com R$ 700 milhões investidos em fundo ESG, o triplo se comparado a 2019.

Avanços do ESG no Brasil

Em 2021, segundo pesquisa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), no cenário corporativo, 84% dos gestores se mostravam cada vez mais interessados em aplicar os três critérios ESG em suas práticas internas e externas.

Fundos que investem em empresas com preocupação social, ambiental e de governança já ultrapassaram R$ 1 bilhão.

Temos grandes exemplos de fomento concedido a empresas com projetos que tenham como foco o desenvolvimento social e econômico em seus países, como é o caso do BID, que todos os anos promove eventos como é o como do DGPS (Gerindo Projetos de Desenvolvimento e Impacto Social), com especialistas a fim de auxiliar gestores na América Latina e Caribe, na validação de seus projetos para maior possibilidade de angariar recursos.

O avanço do ESG no Brasil tem ocorrido de maneira mais lenta e isso se deve a uma necessidade de educação por parte dos gestores de que estratégias sociais, ambientais e de diversidade são tão importantes quanto estratégias de mercado ou financeiras.

Parte dessa educação tem grande relação com a adoção de práticas de governança corporativa que já apontam ao negócio quais os passos que deve tomar para um maior comprometimento social, para uma participação maior de impacto no seu país e que possa de alguma maneira também impactar potenciais investidores.

Empresas brasileiras que são destaque ESG

Segundo a edição 2021 do ranking “Best For The World”, de 750 companhias que impactam positivamente a sociedade e o meio ambiente, 39 são brasileiras.

O grande destaque é a Natura Cosméticos, com iniciativas sustentáveis como a “Amazônia Viva”, em que a empresa contribui para a conservação de 2 milhões de hectares na Floresta Amazônica, tendo investido desde 2010, US$ 400 milhões.

Outro destaque é o “Mais Beleza, Menos Lixo”, com iniciativas voltadas à gestão de resíduos e o projeto “Cada Pessoa Importa”, para promover a diversidade e inclusão, repensando uma renda justa à rede de colaboradores.

Também no quesito “meio ambiente” foram premiadas empresas brasileiras como: Arueira Ambiental, Boomera, Bresco Gestão e Consultoria, Combio Energia, Fazenda da Toca Orgânicos, Movin, NewInc Construtora, Okena, Recicladora Urbana, Retalhar, Seletiva, Sunew Filmes Fotovoltaicos Impressos e YouGreen.

No pilar “comunidade”, foram reconhecidas as empresas: Editora Mol, Grupo Gaia, Movimento #EUVISTOOBEM, Papel Semente e Tobasa Bioindustrial de Babaçu.

No setor “clientes”, foram destacadas as empresas: 4YOU2 Idiomas, Criando Consultoria, MAGIKJC Empreendimentos Imobiliários, MGov, MOV Investimentos, Raízes Desenvolvimento Sustentável, Suindara Radar e Rede, The Key – Prosperar na Nova Economia, Welight e Yunus Negócios Sociais Brasil.

Na área “trabalhadores”, destacaram-se as empresas: Blockforce, Carambola Tecnologia, FAMA Investimentos, Plongé, Tawil Comunicação, Wongtschowski & Zanotta Advogados e YouGreen.

Em “governança”, se destacaram: Avante, Din4mo, PRAGMA e Wright Capital Gestão de Recursos.

ESG no Brasil como uma consciência em governança

O conceito ESG está ligado, como na própria sigla está designado, à governança. O caminho de implementação do conceito ESG na cultura de uma organização, de maneira que seja incorporado em suas práticas, começa pela implementação da governança corporativa (GC).

É muito difícil que uma empresa sem práticas de GC compreenda e aplique o conceito ESG. É necessária uma compreensão estrutural do que é a governança, do que engloba e de como impacta a empresa internamente, externamente e diante do mercado.

Como especialista em governança corporativa e com atuação como conselheiro de administração, meu foco está neste processo educativo, na compreensão do que é a governança, do que é o ESG e, de como a aplicação no dia a dia ações ‘verdes’, impacta grandemente empresas, mesmo que elas ainda acreditem que se tratam de ações apenas essenciais.

Com o exemplo da Natura que há anos fortalece em sua cultura a preocupação da marca com a sociedade e meio ambiente, empresas precisam fazer essa transformação de dentro para fora.

Não basta que o contexto externo te impacte. É preciso que questione: como minha empresa impacta a sociedade? E se a resposta não for significativa, precisamos conversar.

 

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