Em 2020 o Brasil teve um recorde em fusões e aquisições. Segundo a 10ª Pesquisa Global sobre Empresas Familiares (2021), realizada pela consultoria PwC, apenas 24% das empresas familiares possuem planos de sucessão e 36% afirmam ter resistência a mudanças.

Quando fusões e aquisições em empresas familiares representam uma boa estratégia?

Com ampla experiência no mercado corporativo e há sete anos à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, atendendo PMEs e grandes empresas, muitas delas do segmento familiar, hoje quero destacar alguns pontos em torno desse assunto.

Fusões e aquisições em empresas familiares – Existe o momento ideal?

Antes de qualquer decisão, a empresa precisa ter fundamento e é disso que fala Cícero Rocha, idealizador do Instituto Empresariar, ele afirma que é preciso ter cautela com os “modismos” do momento e agir estrategicamente contando com especialistas na área.

Rocha acredita que o primeiro fundamento em empresas familiares são as lideranças-chave e, depois, o fundamento precisa englobar processos, estrutura de poder, processos de decisão e de governança.

A empresa familiar precisa contar com uma cultura sólida e que se adapte às transformações que ocorrem no mundo.

Marly Parra, executiva experiente em diversas multinacionais, membro da Comissão de Ética em Governança do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) e Conselheira na Solstic Advisors, acredita que as operações de fusões e aquisições em empresas familiares (M&A – Mergers and Acquisitions, em inglês) podem ocorrer por diversas razões, dentre elas:

  • Falta de interesse pela organização por parte dos herdeiros dos fundadores;
  • Ausência de um plano de sucessão;
  • Como uma maneira de capitalizar a empresa para crescer;
  • Evitar crise futura por meio de uma aliança estratégica.

Mas no geral, os motivos para aderir a fusões e aquisições, podem ser:

  • Economias de escala;
  • Melhora do desempenho e aceleração no processo de expansão;
  • Entrada em mercados de maior crescimento;
  • Melhora do posicionamento;
  • Mudança tecnológica;
  • Diversificação de risco,

Entre outras.

A profissionalização é uma das principais chaves para que empresas familiares possam se estruturar para almejar crescimento no mercado.

Por muito tempo, tinha-se uma visão de que empresas familiares eram como instituições “informais” já que eram gerenciadas por um mesmo sobrenome e contavam com times de trabalho mais enxutos. Porém, atualmente, essa visão já não faz sentido e um bom exemplo disso, são empresas como Magazine Luiza, JBS, Gerdau Aços, entre tantas outras.

Fusões e aquisições são operações econômicas e muito frequentes no cenário corporativo, sendo fusões atividade caracterizada pelo agrupamento de duas ou mais empresas, originando uma nova e aquisições, atividade decorrente da compra de uma empresa, geralmente de porte menor ou que apresenta dificuldades financeiras, também gerando uma nova.

Essas atividades levam à integração das operações, organização, estratégia e controle do capital.

O momento ideal sempre depende de alguns fatores como o grau de maturidade em que a empresa se encontra; sua realidade no mercado; como está sua gestão; quais seriam as verdadeiras razões por trás de uma decisão como essa, entre tantos outros.

Existem diferenças, por exemplo, entre empresas não familiares e familiares que optam por fusões e aquisições, veja a seguir.

Particularidades de fusões e aquisições em empresas familiares

Existem diferenciais que costumam ampliar as vantagens de fusões e aquisições em empresas familiares em comparação às não familiares, que são:

  • Organizações familiares estão suscetíveis a menor pressão externa quanto a tomar decisões sobre futuras transações de fusão e aquisição;
  • Tendem a ter maior flexibilidade e rapidez ao conduzir suas atividades de M&A, o que consequentemente torna o processo de integração pós-fusão mais rápido.
  • Mas vale salientar que grande parte dos negócios familiares não possuem conhecimento e experiência especializados em fusões e aquisições quando comparados a empresas não familiares.

O ideal para que uma empresa opte por essa iniciativa é estar em um nível de profissionalização adequado e em regular ascensão.

Profissionalização da gestão

É fundamental ter todas as relações entre sócios formalizadas e documentadas, contar com uma governança corporativa sólida, estar aberta à inovação (seja incremental ou radical), entre outras ações.

Torna-se importante ter uma gestão preparada para lidar com as mudanças que virão, seja reorganizar o quadro societário; implantar uma boa governança e já ter um plano sucessório (já definido ou em desenvolvimento), entre outras medidas para que o campo esteja preparado.

Fusões e aquisições em empresas familiares estão relacionadas a uma preparação da marca, posição financeira no mercado e sobre quem será o responsável por conduzir a gestão em uma nova realidade.

Quando a fusão ou aquisição é realizada entre companhias do mesmo segmento, já existe o conhecimento necessário por parte da gestão. Mas quando são duas modalidades completamente diferentes, será imprescindível adquirir as habilidades técnicas, intelectuais e de gestão da empresa que será comprada.

Quando a empresa está pensando na estratégia de fusões e aquisições, o Conselho de Administração da organização familiar precisará avaliar todos os possíveis cenários para que o negócio consiga se expandir no mercado de maneira sustentável.

Talvez a grande questão em torno de fusões e aquisições seja o da profissionalização da gestão antes de pensar em alguma dessas estratégias, se bem direcionado o processo, muitas podem ser as conquistas.

Um dos muitos exemplos bem-sucedidos é do grupo do setor de alimentos J.Macedo, dono das marcas de farinha de trigo Sol e Dona Benta, que se mantém familiar mesmo após recorrer a aquisições para sustentar o crescimento.

Amarílio Macêdo, principal representante da família do fundador à frente do grupo, seguiu com o propósito de perenizar a empresa conforme o desejo de seu pai (fundador), mas recorreu ao mercado para financiar a aceleração do desenvolvimento.

Cada empresa tem uma cultura e particularidades, portanto, ter o apoio de um especialista para tornar o processo estratégico mais fluido é essencial.

Pensando em fusões ou aquisições? Podemos conversar.

 

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