A gestão financeira é caracterizada pelo conjunto de procedimentos e ações administrativas ligados à análise, ao controle e ao planejamento de todas as atividades financeiras de uma organização.

Também é uma das áreas mais importantes na administração do negócio e por mais que pareça/seja um assunto clichê, é por problemas nessa área que inúmeras empresas comprometem sua permanência no mercado.

Com o apoio tecnológico e da automação de processos, diversas áreas administrativas entre as empresas têm sido beneficiadas, inclusive, a gestão financeira. Os sistemas permitem um melhor controle, registro e contabilidade, otimizando ações, assim como o tempo, além disso, a interpretação das informações para análise se torna mais eficiente.

Segundo dados do relatório publicado pelo Serasa Experian, em 2021, 622 empresas fecharam as portas, índice 9,8% menor em comparação a 2020. A análise também mostrou que em 2021, 617 empresas solicitaram o requerimento de recuperação judicial.

Aliás, durante a pandemia, inúmeras organizações tomaram atitudes movidas a “desespero”, dentre elas a redução de custos sem a devida análise ou não tinham um planejamento financeiro adequado, ou seja, já apresentavam deficiências na gestão financeira antes do problema de saúde pública mundial, o que se tornou ainda mais acentuado durante a crise.

Dentre os principais problemas financeiros entre as organizações, estão:

  • Falta de eficiência na gestão do fluxo de caixa;
  • Ausência de controle financeiro;
  • Mistura das contas de pessoas jurídicas com as contas físicas;
  • Despesas supérfluas;
  • Ineficiência na gestão de contas a pagar e a receber;
  • Capital de giro insuficiente;
  • Ausência de equipe para o atendimento específico às demandas financeiras;

Entre outros.

A gestão financeira precisa ser realizada a partir da observação do contexto organizacional, analisando os itens que geram valor para o negócio e o quanto investir, de acordo com a estratégia organizacional.

Organizações na constante busca por se reinventar – conhecendo o nível de maturidade

Diante da velocidade das transformações que acontecem no mundo, organizações estão continuamente procurando se reinventar, não apenas para sobreviver, mas para avançar no mercado.

A transformação digital, a mudança de comportamento dos consumidores, as exigências quanto às regulamentações e novas regras, levam empresas à necessidade de redefinição de suas estratégias.

Rosana de Pádua, Diretora de Finanças, Riscos, Compliance e Recursos Humanos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), associa a redefinição de estratégias à busca por novos negócios, novos mercados, novos clientes e segmentos pouco ou ainda não explorados:

“A empresa é um organismo vivo e precisa se reinventar o tempo todo, com muita criatividade e inovação. Isso exige sempre a redefinição de estratégia.”

Já a Sócia-Diretora da área de Management Consulting da KPMG no Brasil, Cida Hess, também especialista em finanças e estratégia, acredita que é importante que as organizações desenvolvam suas estratégias em torno de um robusto modelo de gestão, baseado em uma boa governança, que integra as dimensões fundamentais: pessoas, processos, tecnologia e infraestrutura.

“Materializar estratégias significa buscar e manter rentabilidade ao longo do tempo e, assim, é necessário se preparar para as constantes e necessárias mudanças. E esse é um exercício difícil para muitas empresas, comprometendo até mesmo sua sobrevivência”, reforça a especialista.

Segundo ela, o primeiro passo para a identificação do nível de maturidade da organização está em avaliar os aspectos que impedem o melhor desenvolvimento da empresa, assim como os pontos fortes e as oportunidades em cada área:

“É importante pensar em uma maneira integrada, com o alinhamento e o direcionamento da estratégia, o desenvolvimento de um sistema de governança, a análise do ambiente regulatório e a transformação dele em oportunidades, além da avaliação dos impactos de cada mudança”, acrescenta.

Diante de um cenário regido por rápidas transformações, um dos principais desafios para o desenvolvimento de modelos de gestão alinhados à realidade de cada organização, está no engajamento entre o Conselho de Administração e o Corpo Executivo.

O diagnóstico de cenário, realizado pelos órgãos precisa compreender quais as oportunidades possíveis ao negócio, assim como os riscos previstos.

Papel dos conselhos para uma gestão financeira eficiente

A tomada de decisões inevitavelmente precisa reunir todas as frentes de gestão e o conselho de administração da empresa.

Dentre os tantos papéis e responsabilidades atribuídos ao conselho de administração, destacam-se:

  • Atenção quanto aos valores, propósitos e missão da empresa;
  • Definir as diretrizes estratégicas;
  • Contratar, dispensar, avaliar e remunerar o diretor-presidente e demais executivos;
  • Contínua supervisão da gestão, com foco nos negócios, pessoas e riscos;
  • Prestar contas aos acionistas e orientação à diretoria;
  • Discutir e aprovar/reprovar decisões ligadas à estrutura de capital, práticas de Governança Corporativa, fusões, aquisições, etc.;
  • Analisar as informações financeiras e verificar se a transparência tem sido vivenciada.

Os conselhos representam um dos principais direcionadores da organização para a compreensão do contexto vivenciado, como o comportamento da receita nos negócios, assim como ajuda a definir quais são as medidas de curto prazo e longo prazo que podem ser tomadas para preservar o equilíbrio financeiro da empresa, como, por exemplo, aumentar o caixa e todas as ações que precisam ser tomadas de acordo com a realidade.

A gestão financeira deve promover e impulsionar a prática dos princípios da Governança dentro das empresas, sendo a transparência e prestação de contas parte da cultura organizacional.

E transparência que não se restrinja ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que possam nortear a ação gerencial e que conduz à preservação e à otimização do valor da organização.

Um conselho de administração eficiente reúne algumas características quando atua de forma íntegra na empresa, dentre eles:

Utilização de sistemas de controle – tanto para o patrimônio da organização quanto para suas operações;

Utilização de sistemas de informações – sendo fundamental para garantir a transparência das operações já que o conselho tem o papel de acompanhar todos os acontecimentos para auxiliar na melhor tomada de decisões;

Ser diversificado – ter um conselho diverso que se complementa em expertises, assim como um número equilibrado de conselheiros internos, externos e independentes, é fundamental;

Entre outros.

Lucratividade a qualquer custo é sinal de imaturidade organizacional

“Cash is King” (Dinheiro é Rei) é um termo que engloba a ideia central de que o dinheiro é mais valioso do que outras formas de capital.

E embora para as organizações, o dinheiro possa representar ser “rei” por possibilitar que a empresa mantenha seus ativos valiosos, possa tomar decisões estratégicas quando for o momento certo e realizar investimentos sem impedimento, não pode estar além do propósito do negócio.

O Conselheiro, Paulo Grigorovski, acredita que “If The Cash Is The King, Purpose Is The Kingdom! (Se o dinheiro é rei, propósito é o reino). O especialista traz a reflexão de que um rei só existe se houver um reino, sendo assim, se o dinheiro é considerado rei, ele precisa servir a um reino e este reino é o propósito.

Vivendo na era ESG (Environmental, Social and Governance – *meio ambiente, social e governança), organizações estão aprendendo o quanto é necessário repensar sua cultura e se suas ações de fato condizem com aquilo que “dizem ser” no mercado.

A busca unicamente por lucratividade, algo vivenciado por centenas de anos no mundo dos negócios deu lugar a uma preocupação cada vez maior com os impactos da empresa na sociedade em que atua, junto aos seus consumidores e todos os públicos envolvidos.

Qual o propósito da organização diante da sociedade? O que ela traz ao mundo, muito além de seu produto/serviço?

O ambiente corporativo tem se tornado cada vez menos favorável a organizações com a mentalidade baseada em lucros acima de tudo.

Organizações podem superar quaisquer crises quando têm um propósito claro e estão baseadas nele e em uma cultura fortalecida, caso contrário, em meio às tentativas de se reerguer no mercado, terá de enfrentar crises quanto à própria identidade.

Os conselhos também são responsáveis por guardar o propósito da organização e orientá-la a retornar às bases de sua cultura, em casos de desvio.

O propósito vem antes de qualquer esforço frente à gestão empresarial.

 

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