Dados publicados em 2019 mostravam que empresas familiares representavam 90% dos empreendimentos no Brasil e, embora esse segmento seja o predominante, em sua maioria, as empresas familiares desconhecem os princípios da governança corporativa (GC).

Outro dado importante é o de que empresas familiares não conseguem chegar aos seus cinco anos de sobrevivência, representando um percentual de 60%.

Desde 2015 à frente da MORCONE Consultoria Empresarial e com mais de 35 anos no mundo corporativo, com grande vivência na implantação de governança corporativa em empresas familiares, hoje trago um artigo sobre este tema tão importante.

Os laços familiares em muitas empresas podem gerar o problema da ‘ausência de regras claras’, portanto, a governança corporativa assume a função de definir as regras, os papéis de cada integrante da gestão do negócio, auxilia a nortear as discussões referentes à tomada de decisões, no respeito à cultura do negócio e à sua sustentabilidade no mercado.

Processo de implantação de governança corporativa em empresas familiares

Vamos considerar a introdução à GC em uma empresa familiar a partir de três passos práticos:

  • Planejamento;
  • Definição de orçamento/investimento;
  • Profissional habilitado (em muitos casos, um consultor externo).

Ocorre no negócio uma completa restruturação e após uma visão geral e diagnóstica da empresa, tem início a implantação da governança corporativa com o intuito de promover importantes mudanças.

Na década de 1970 surgiu o modelo dos três círculos, criado por John Davis e Renato Tagiuri. Neste modelo fica explícito os principais desafios da empresa familiar por meio das três dimensões presentes: família, propriedade e gestão.

Cada uma dessas dimensões tem as suas necessidades, expectativas, direitos e deveres, que quando não alinhados, podem gerar desentendimentos, tensão e disputas judiciais, que em muitos casos, podem representar o fim da empresa.

A governança corporativa em empresas familiares é um importante instrumento com a finalidade de trazer harmonia ao negócio, ajudando no equilíbrio entre os integrantes dos três círculos do modelo, o que também se estende à interação do negócio com as demais partes interessadas (stakeholders).

A finalidade das boas práticas de GC é converter princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando os interesses com o intuito da preservação e otimização do valor econômico da empresa em longo prazo, facilitando seu acesso a recursos e gerando como consequência positiva a qualidade da gestão do negócio, assim como sua longevidade e bem comum.

Resolução dos principais problemas de gestão presentes em empresas familiares

A governança corporativa em empresas familiares apresentam desafios a mais em comparação aos demais segmentos de negócio.

Quando não há uma disciplina capaz de regular o relacionamento da família com o negócio, costumam ocorrer disputas e conflitos familiares que são levados para as dependências do negócio, comprometendo sua permanência no mercado, levando a prejuízos em seus resultados.

A maior parte dos problemas nesse segmento de gestão se concentra no direcionamento da organização, na participação em resultados e em aspirações de poder por parte da maioria de seus membros.

É fundamental que haja regras claras, que sejam respeitadas e evitem estes problemas comuns, que quando acumulados podem resultar até mesmo no fim da empresa.

Essas regras são fundamentais e este é um dos principais propósitos presentes na governança corporativa, propondo clara distinção entre propriedade e gestão, exemplo: herdeiros têm direito como proprietários, mas isso não lhes atribui o direito como gestores em muitos casos.

Para a gestão de uma organização são necessárias competências e processos disciplinados, sem espaço para disputas de ego ou desentendimentos na relação familiar.

Além do conselho de administração (CA), costuma ser indicado o conselho de família, que apesar de não integrar o sistema de gestão como o CA, tem a finalidade de organizar as expectativas da família em relação à sociedade.

Este conselho pode tratar diferentes temas como a definição de critérios para a sucessão e participação na sociedade, direcionamento geral do negócios, preservação dos princípios e valores da família, que devem reger a organização, estabelecer os limites entre interesses da família e da empresa, relacionamento com os demais sócios e definição de critérios para a indicação de membros para o conselho de administração.

A governança corporativa em empresas familiares é um órgão indispensável para a perenidade da empresa e uma importante ferramenta para a prevenção, principalmente, de conflitos de interesses que possam colocar em risco também os laços familiares.

Apesar de ser um segmento de negócio mais complexo devido aos laços consanguíneos, pode-se alcançar um ótimo patamar de gestão adotando boas práticas de governança corporativa.

Como já mencionado, para uma prática efetiva de GC, contar com um profissional externo para a implantação ou para atuar em alguma área como é o caso do conselho de administração é recomendado, principalmente por oferecer visão imparcial sobre a organização.

 

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