O que acontecerá no futuro? Amanhã, no próximo mês ou daqui a dez anos, não importa, a verdade é que a previsibilidade sempre existiu e a necessidade por controle se tornou mais intensa à medida que a última crise de saúde global desafiou planejamentos e aquilo que se acreditava saber sobre gestão do futuro.

Estamos diante da inteligência artificial (IA) transformando organizações, moldando comportamentos e impactando processos.

Novas habilidades profissionais se tornam essenciais diante do avanço da IA, é o que aponta o novo relatório Work Trend Index da Microsoft que entrevistou 31 mil pessoas de 31 mercados entre fevereiro e março de 2023.

Segundo a pesquisa, 82% dos líderes globais afirmaram que os profissionais precisarão de novas habilidades em um futuro impulsionado pela IA e dentre elas, foram mencionadas:

  • Julgamento analítico;
  • Flexibilidade;
  • Inteligência emocional;
  • Curiosidade intelectual;
  • Detecção e tratamento de vieses que a IA possa trazer;
  • Delegação de IA (prompts) *capacidade de instruir a IA.

A transformação dos modelos de trabalho reflete diretamente sobre as pautas na governança corporativa e em como os conselheiros deverão se portar diante das principais demandas da atualidade.

Com ampla experiência no mercado corporativo, atuando como consultor empresarial auxiliando PMEs e grandes empresas ao redor do Brasil e como conselheiro consultivo, hoje desejo abordar sobre as principais habilidades imprescindíveis ao conselheiro do futuro.

Conselheiro do futuro – impactos nas agendas e postura profissional

Em 2022, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) lançou o Manual de Exploração do Conselho do Futuro, apresentando os principais cenários à espera dos conselhos e conselheiros e quais os vetores de mudança para os quais se devem preparar nos próximos dez ou vinte anos.

Foram construídos 243 cenários com base nas incertezas sobre os futuros dos conselhos.

Um dos vetores de mudança apresentado foi “Tecnologias conectadas desde as atividades à tomada de decisão”, tratando sobre as novas tecnologias como um ativo de sobrevivência e não mais de “diferenciação”, sendo o desafio:

  • Se manter relevante em uma era em meio a tantas transformações;
  • Lidar com a força da automação e substituição de mão de obra humana;
  • Uso da inteligência artificial para a tomada de decisão, impulsionando resultados operacionais e financeiros.

A era de abundância de dados e tecnologias impacta diretamente na dinâmica dos comitês, já que passam a se estruturar e organizar informações com base em dados e tecnologia, disponibilizando conhecimento mais estruturado em tempo real.

Mas diante desse contexto, fica a reflexão de que as tecnologias ainda não têm como atributo a ética humana, da sociedade e dos conselhos, sendo assim, é um tempo de incorporar novas reflexões ao dia a dia dos conselheiros, de maneira que possam melhor direcionar as organizações em um quadro de inúmeras mudanças que ocorrem simultaneamente no mundo.

Estamos vivenciando o ESG e a necessidade das empresas ao redor do planeta em comunicar seu propósito e entregar valor aos seus profissionais, clientes e demais stakeholders.

O mundo está mudando e o conselho também!

Quais as principais habilidades do conselheiro do futuro? Sem dúvidas, dentre as principais mudanças estão as habilidades socioemocionais que deverão conduzir o direcionamento por parte dos profissionais, a disposição para questionar, a escuta ativa, o respeito a outras perspectivas, a capacidade de ousar, de aprender e também de “desaprender” para vivenciar o novo.

É preciso que a diversidade seja mais do que um discurso, mas esteja presente na formação dos comitês dos conselhos e que profissionais de diferentes faixas etárias, backgrounds profissionais, vivências pessoais, entre outras características, representem a pluralidade que será o diferencial no momento de conduzir transformações ou de auxiliar a gestão para que retorne à cultura e não perca de vista seu propósito.

Recentemente, na série “Os Conselheiros” no podcast do canal do YouTube da Board Academy Br, renomados especialistas estiveram presentes para falar sobre as principais competências para o conselheiro do futuro, dentre eles, Walter Longo, especialista em Inovação e Transformação, publicitário, gestor e parte do corpo de conselheiros da Board Academy Br.

Vários temas vieram à tona na discussão, dentre eles, a importância do senso de comunidade por parte do conselheiro do futuro levando em conta o público interno, fornecedores, clientes, etc.; como se relaciona diante das novas tecnologias; como se cria o ecossistema em torno do propósito definido para a comunidade que existe ao redor da organização, entre outros.

Além disso, questionamentos foram levantados: Como contribuir para uma sociedade melhor? Como engajar pessoas em prol de um movimento social? Como envolver pessoas em torno daquilo que foi decidido?

“Engajamento se relaciona com gamificação e a uma análise mais profunda do marketing hierárquico. Teremos cada vez mais acesso a pessoas, mas com menos capacidade de engajá-las”, reflete Longo.

O especialista também acrescentou a importância de que o conselheiro assuma postura nexialista à frente do ecossistema organizacional.

Quando se fala em profissionais do futuro, a figura do profissional nexialista vem à tona. Trata-se daquele que tem a “mentalidade de hiperlink”, ou seja, consegue estabelecer as conexões necessárias para resolver problemas que surgem no dia a dia da empresa.

É um profissional que possui habilidades técnicas e socioemocionais, tendo grande capacidade de promover transformações e criar oportunidades.

Dentre as principais características dos nexialistas, estão:

  • Visão holística;
  • Compreensão sobre mentalidade e questões comportamentais;
  • Habilidade de promover a motivação nas pessoas com base em clareza e objetividade;
  • Inspirar por meio do exemplo;
  • Capacidade de provocar transformações na vida das pessoas;
  • Crença no aprendizado contínuo;
  • Persuasão;
  • Comunicação assertiva.

Esse é um perfil importante para o conselheiro do futuro, pois é fundamental estar atento aos principais movimentos da atualidade, estar preparado a obter informações claras sobre assuntos de destaque e estar em contínuo processo de aprendizado, estando pronto, em muitos casos, a abandonar crenças que não fazem mais sentido.

Conselheiro precisa aprender a navegar em diferentes cenários

Com minha experiência no mercado corporativo, adquiri a flexibilidade de lidar com diferentes contextos, de repensar metodologias, modelos de trabalho e de abandonar, quando necessário, pensamentos que já não podem ser úteis ao mundo em que vivemos hoje.

O conselheiro do futuro é o profissional pronto a direcionar a organização em qualquer demanda que surgir, que em muitos casos, ajuda o gestor a voltar um pouco atrás, quando um projeto não está maduro o suficiente ou quando o desejo pela expansão está além do que a empresa consegue vivenciar com base em sua realidade.

É preciso aprender a navegar, seja no mundo VUCA, BANI ou qualquer outro cenário, lidar com tomadas de decisões ágeis, propor temas da atualidade nas agendas e se manter íntegro tanto quanto ao próprio papel no conselho como quanto a relembrar a organização sobre o seu papel no mercado e sociedade.

Ser conselheiro pode ser muitas vezes uma atuação solitária em alguns casos, mas é uma responsabilidade que vale o bônus e o ônus da profissão. Nosso papel é direcionar, propor e ajudar a desbravar caminhos. Nosso papel é ser o norte, mas também lembrar sobre o porquê.

O conselheiro do futuro é, antes de tudo, aquele que sabe como enfrentar o presente.

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