Em um cenário corporativo de ampla competitividade e instabilidade econômica, inovar é uma necessidade para que as empresas prossigam sustentáveis no mercado, melhorando sua eficiência, produtividade e desempenho, porém, como os conceitos de inovação e ESG se relacionam em prol deste objetivo?

No Índice Global de Inovação (IGI), o Brasil subiu 5 posições em comparação com o ranking de 2022 e agora ocupa o 49º lugar entre 132 países, sendo o 1º colocado na América Latina. Mesmo diante do avanço, esta colocação do Brasil ainda é considerada aquém do potencial do país.

Atuando na área corporativa há mais de 35 anos, como consultor à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, conselheiro consultivo, auxiliando empresas de diferentes segmentos e portes, hoje trago um artigo sobre a relação entre inovação e ESG e o que as organizações precisam avaliar para extrair o melhor da união destes conceitos.

Inovação e ESG – Fundamentais para nortear estratégias de negócio

Quando refletimos sobre inovação e ESG, um termo muito importante vem à tona: coerência. Ao inovar tendo como premissa a sustentabilidade, o que costuma ocorrer entre milhares de empresas ao redor do mundo é o distanciamento entre o que professam e o que vivem em sua realidade.

Quando se fala em carros elétricos, por exemplo, é inevitável não associá-los à sustentabilidade ambiental, afinal, provocam menor poluição, mas em contrapartida, as baterias usadas para alimentar esses veículos utilizam matérias-primas provenientes de países com legislações frágeis, dificultando a fiscalização e incentivando abusos por parte da indústria.

Neste exemplo acima, você consegue visualizar que o ESG está apenas sendo vivenciado de maneira “superficial”, ou seja, apenas naquilo que é pertinente para conferir ao negócio o selo de boas práticas? Uma das maiores dificuldades entre as organizações é justamente vivenciar a agenda ESG integralmente, desde as boas práticas ambientais às questões de governança e de gestão de pessoas.

A inovação precisa passar pelo ESG desde a criação de estratégia à incorporação nas organizações, ou seja, é preciso considerar os impactos que cada ação pode provocar ao meio ambiente, sociedade e à governança na empresa.

Mas essa é uma relação bilateral, ou seja, os princípios ESG impulsionam a inovação e vice-versa. Por essa perspectiva, surge o termo “inovação sustentável”, capaz de promover entre as organizações o fôlego necessário para que possam, com sucesso, aplicar as práticas ESG no centro de suas estratégias.

As práticas de inovação empresarial são capazes de auxiliar as empresas no amadurecimento nos indicadores ligados ao ESG e no fortalecimento da cultura ambidestra, ou seja, no equilíbrio entre a cultura da inovação e a excelência operacional.

Mas como é possível vivenciar a inovação e ESG de maneira assertiva nos negócios?

Heiko Hosomi Spitzeck, diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral, listou algumas barreiras que as organizações encontram no momento de usar o ESG com a finalidade da inovação.

Falta de clareza em relação às prioridades ESG e Inovação

O especialista propõe o questionamento à liderança: quais são os três temas sociais ou ambientais mais importantes para a empresa? O que infalivelmente irá gerar respostas diversas por parte dos líderes, sendo assim, é fundamental que se tenha um processo estruturado para definir prioridades ESG, afinal, sem elas não há inovação.

Aversão a riscos e à punição

Quando se fala principalmente na gestão de inovação, uma das premissas é a abertura para as falhas, afinal, sem elas o processo de inovação torna-se inviável. Muitas organizações evitam projetos mais arriscados de inovações disruptivas, porque não estão dispostas a correr riscos que são inevitáveis no processo e essa ação também retrai a equipe em relação à liberdade criativa e ousadia.

Visão de curto prazo

Naturalmente as organizações preferem projetos de baixo risco e retorno mais rápido, sendo assim, é fundamental que as empresas vivenciem a cultura da inovação, apoiando mais projetos que desenvolvem novos modelos de negócio de longo prazo, mas claro que antes disso, é fundamental dar voz e liberdade a profissionais especialistas para que possam contribuir com suas ideias, afinal, a inovação é gerada por pessoas!

Equipes vivendo “no limite”

Outra barreira para a vivência da inovação e ESG são as equipes enxutas e “multifuncionais”, é comum em conversas com líderes, gerentes, etc. o desabafo: “me falta tempo para pensar em inovação”. Uma organização completamente mergulhada em suas dinâmicas frenéticas do dia a dia não conseguirá inovar, afinal, suas pessoas estão ocupadas o tempo inteiro com a rotina diária do negócio.

Problemas na gestão de pessoas com foco em engajamento de talentos

Muitas organizações não promovem um ambiente que desperte as equipes para trazerem suas ideias. Dados coletados pela Época Negócios 360º, mostraram que as organizações que desafiam e capacitam suas pessoas a trazer novas ideias possuem um melhor clima organizacional (66% das empresas participantes relataram satisfação com o clima entre 80% e 100%).

Falta de reconhecimento às pessoas

Muitas organizações “travam” o potencial de suas equipes quando não reconhecem as qualidades de cada pessoa e suas contribuições à empresa. É comum em muitos contextos, a contribuição de um profissional e a empresa acolher sua ideia atribuindo “ao time” sem reconhecer inicialmente a motivação e engajamento daquela pessoa, o que pode gerar, inclusive, a sensação de que foi “explorada”.

Consegue perceber que esses empecilhos quanto à vivência da inovação e ESG estão principalmente ligados ao tripé governança, gestão organizacional e gestão de pessoas?

Importância do conselho para a consolidação da inovação entre as empresas

Os conselhos consultivo e de administração têm o papel de orientar a organização a se voltar às estratégias de negócio e continuamente propor reflexões quanto à inovação e sustentabilidade no mercado.

Dentre os 10 passos para um bom roteiro de inovação nos conselhos, de acordo com o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), estão:

  1. Ter a inovação periodicamente na agenda do conselho;
  2. Acompanhar projetos inovadores relevantes;
  3. Realizar o monitoramento e execução da estratégia de inovação definida;
  4. Revisar riscos relacionados à inovação;
  5. Acompanhamento dos indicadores de inovação;
  6. Propor debates sobre a inovação com o CEO;
  7. Exigir a auditoria das capacidades de inovação da empresa;
  8. Avaliar o desempenho da inovação;
  9. Ter ocasionalmente encontros com o time de inovação da empresa;
  10. Promover altos executivos com base na inovação.

É fundamental, para que os conselhos possam desempenhar esses passos para a inovação, que haja diversidade na composição de membros e profissionais entusiastas no tema e, claro, que não se perca a noção do alinhamento de quaisquer estratégias com as práticas ESG.

Inovação sem ESG diante da atualidade pode representar um grande erro de graves consequências ao negócio (com ênfase na reputação da empresa), e pensar no ESG sem considerar a inovação é um tamanho desperdício quanto às potencialidades que carrega.

Sua organização dá a devida atenção à inovação e a coloca como parte da criação estratégica do negócio? O quanto sua empresa está preparada para o novo?

Seus conselhos recorrentemente incluem a pauta inovação e ESG na agenda? O quanto os altos executivos estão engajados com essa pauta?

Para se destacar na concorrência é fundamental criar vantagem competitiva e não ter medo de sair do lugar comum, sua empresa está preparada?

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