Organizações, independentemente do setor de atuação, necessitam de uma estratégia organizacional que atua orientando a empresa sobre quais rumos deve tomar de acordo com a realidade interna, com o contexto externo e com os seus objetivos no mercado.

Idalberto Chiavenato e Arão Sapiro, na obra, Planejamento Estratégico, trazem a reflexão de que o planejamento estratégico não pode ocorrer isoladamente, ou seja, deve envolver toda a estrutura organizacional da empresa e o caminho para sua implantação está no autoconhecimento de negócio e em seu nível de assimilação e rápida resposta aos eventos que ocorrem no contexto externo (análise de mercado, economia, aspectos comportamentais do consumidor, etc.).

Existem alguns elementos fundamentais que precisam compor uma estratégia, como: objetivos detalhados, iniciativa, flexibilidade, liderança, foco e segurança.

E quando se fala no termo flexibilidade, não se pode excluir a sistemática de um mundo regido por complexidades e caos, sendo o conceito BANI, uma boa representação diante deste cenário.

BANI – Entendendo o caos ao nosso redor

Por algum tempo se ouviu falar muito no mundo VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), mas a pandemia e sua imprevisibilidade mostrou que era necessário repensar aquilo que se compreendia como “contexto caótico”, sendo assim, o antropólogo, futurista e autor americano, Jamais Cascio, trouxe um conceito novo, o BANI.

BANI é o termo usado para dizer que o mundo hoje é frágil, ansioso, não linear e incompreensível e o futurista chegou a esse conceito ao refletir que, diante do clima, pandemia, desigualdade e instabilidade global, o VUCA havia se tornado inapropriado para alcançar uma dinâmica mais intensa de transformações.

A ideia por trás deste conceito é “quebrar” quatro ilusões da perspectiva atual humana sobre o mundo.

Frágil (Brittle) – Ilusão da Força

O termo frágil está relacionado a algo que não é tão forte quanto parece e está relacionado aos mitos que as pessoas costumam contar a si mesmas com o intuito de se sentir melhor e seguras.

Essa compreensão da fragilidade está ligada à descoberta das pessoas sobre o mundo, em especial, de que a natureza, economia e tranquilidade representam um ecossistema interconectado frágil e complicado.

A ilusão da força pode arruinar organizações, porque por mais que a estrutura aparente equilíbrio, é preciso considerar que algo pode se romper a qualquer momento se não houver franqueza em admitir a necessidade de contínuos ajustes na gestão, na cultura, entre outros fatores ligados à saúde de uma empresa.

Ansioso (Anxious) – Ilusão do Controle

A ansiedade geralmente é resultado do sentimento de se sentir sobrecarregado diante daquilo que tem enfrentado. Além disso, é um estado emocional decorrente do acesso a muitas informações, ou seja, quanto mais notícias, principalmente as negativas, mais ansiosas as pessoas costumam se sentir.

Não ter o controle sobre uma situação tem gerado nas pessoas o sentimento de impotência acompanhado da ansiedade e isso foi experimentado de maneira intensa durante a pandemia.

Porém a compreensão de que não é possível ter o controle sobre boa parte dos acontecimentos é um comportamento essencial, inclusive, na criação estratégica entre as organizações e embora não possa controlar os acontecimentos/realidade, é possível pensar em abordagens para lidar com cada um dos eventos que surgem.

Não-linear (Non-linear) – Ilusão da previsibilidade

O conceito de não linearidade já é conhecido há alguns anos, como quando se diz que não existe uma rota simples e direta de A a B quando se fala em inovação, por exemplo.

A linearidade sempre esteve presente no mundo, sendo uma característica natural presente em qualquer sistema complexo, sendo assim, isso quebra a ilusão da previsibilidade.

Quem poderia supor uma pandemia global que durasse dois anos, impactando a vida de bilhões de pessoas?

Incompreensível (Incomprehensible) – Ilusão do Conhecimento

Esse conceito está relacionado à incapacidade de compreender todos os acontecimentos em volta e quando respostas são encontradas, em grande parte dos casos, não se consegue entendê-las.

A ilusão do conhecimento está ligada à “certeza” de que o mundo é um mistério e de que quanto mais existe dedicação ao conhecimento, sempre haverá mais a desvendar e, estar consciente dessa realidade, é fundamental às organizações, afinal, conhecimentos precisam ser renovados e a jornada do aprendizado precisa ser contínua.

Planejamento estratégico eficaz precisa passar pelo sistema de Governança Corporativa

Seja qual for a iniciativa de uma organização, a estrutura que precisa antecedê-la é o sistema de governança corporativa.

A governança corporativa torna a gestão e o planejamento estratégico mais eficiente. É a estrutura para que a organização possa se desenvolver, sendo a transparência, um de seus princípio e uma importante diretriz capaz de gerar a confiabilidade da empresa junto ao mercado por meio de sua boa reputação.

Dentre as principais vantagens da governança corporativa, estão:

  • Visão estratégica o mais isenta possível com foco nos objetivos da organização;
  • Mais capacidade de gestão de crises;
  • Impactos positivos na competitividade;
  • Maior destaque no mercado;
  • Boa reputação junto aos investidores;
  • Mais acesso ao capital;
  • Preservação do valor da empresa em longo prazo;
  • Garante a longevidade econômica;
  • Ajuda na definição dos melhores objetivos estratégicos;
  • Consegue “traduzir” valores e demais conceitos abstratos em ações concretas;
  • É essencial para a capacitação de empresas familiares;

Entre tantos outros.

No Brasil, são muitas as regulamentações, o que geralmente se torna um obstáculo a mais em todo o processo que envolve a transformação organizacional entre as empresas, porém, estar de acordo com as regras é essencial e ter um sistema de governança e Compliance sólidos leva ao aumento da confiabilidade junto a investidores, acionistas e demais públicos.

A governança corporativa assume o papel de promover a adequação das interações e relacionamentos, direcionando o conselho de administração e a alta gestão das organizações no controle das partes interessadas, colaboradores e demais stakeholders ligados à corporação.

Na estrutura de governança corporativa, o conselho de administração assume deveres fiduciários de se responsabilizar diante daqueles a quem presta atuação e entrega.

Lidando com o Risco Estratégico entre as organizações

Não se pode falar sobre planejamento estratégico sem mencionar o risco estratégico, inevitável em qualquer estratégia de negócios e, ao invés de ignorá-lo, o que poderia levar a um grande impacto entre as organizações em longo prazo, é fundamental estar preparado para lidar com ele.

A consciência sobre o risco leva organizações a se preocuparem em adotar metodologias ágeis que as preparem para tomar decisões rápidas, diante de cenários controversos, como já mencionado dentro do conceito BANI.

A gestão de risco é o processo que trata dos riscos e oportunidades que afetam a criação, a destruição ou a preservação de valor nas organizações. Toda empresa, pública ou privada existe para gerar valor às partes interessadas (stakeholders).

O risco é o efeito que a incerteza tem sobre os objetivos da organização. Trata-se da possibilidade de ocorrência de eventos que afetam a realização ou o alcance de objetivos, combinada com o impacto dessa ocorrência sobre os resultados esperados. Quando se pensa na geração de valor à sociedade, é preciso se voltar à gestão de riscos, elemento-chave no processo.

O conselho de administração assume a responsabilidade de, após munido de todas as informações necessárias, auxiliar a organização na definição estratégica com base nessas informações, ou seja, para a tomada de decisões.

Os riscos estratégicos estão entre os de maior preocupação por parte da alta gestão das empresas, pois podem influenciar diretamente em danos à reputação de porta-vozes e representantes, refletindo sobre a imagem das próprias organizações.

Para o futuro, planejamento estratégico em constante construção

O planejamento estratégico é um verbo e não substantivo, isso quer dizer que é uma prática que visa continuidade e que por sua natureza, é altamente falível.

Uma governança bem-sucedida exige que o Conselho lidere, oriente e apoie a organização na constante busca por sustentabilidade e viabilidade por meio do planejamento estratégico.

Organizações evoluem no processo à medida que dedicam mais esforço à criação estratégica e estão abertos ao aprendizado a cada experiência.

 

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