Por que tantas empresas morrem no mercado? Talvez para muitos a resposta esteja no quanto o mundo muda, mas na verdade, o grande problema está na resistência das empresas ao novo.

Resistir é compreensível, afinal, toda mudança gera impactos, evoca reestruturação, realinhamento de informações, ajustes na cultura organizacional, ou seja, dá trabalho!

Com ampla experiência no mercado corporativo, atualmente exercendo atividade em conselhos de administração e como consultor e mentor à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, hoje quero abordar as principais questões que envolvem a resistência às mudanças em uma empresa.

Empresas não querem mudar, mas não têm muita escolha

Temos bons exemplos de empresas que não quiseram se render ao novo e perderam força competitiva no mercado, como é o caso da Kodak, que se recusou a acompanhar a evolução das câmeras digitais e quando finalmente decidiu correr atrás do novo, estava muito atrás da concorrência.

Já a Blockbuster ignorou a popularidade do streaming de vídeo e resistiu no mercado até ser forçada a fechar centenas de lojas ao redor do mundo para pagar suas dívidas.

Esses são só alguns dos milhares de cases de empresas que fecharam as portas ou que perderam o lugar de liderança no mercado porque resistiram ao novo e disseram ‘não’ ao movimento natural das grandes mudanças que acontecem o tempo todo no mundo.

Para diminuir as margens de resistência das empresas, temos hoje o que é conhecido como gestão de mudanças organizacionais (GMO) que se trata de um conjunto de práticas, processos e ferramentas, que têm como objetivo, preparar uma empresa e os seus stakeholders (partes interessadas) para as mudanças.

Geralmente a gestão da mudança é acionada com mais frequência em projetos complexos que causarão maiores impactos em diversas áreas da empresa, mas nem é preciso tanto, a GMO pode ser realizada a qualquer sinal de novidade a ser implementada.

O que a gestão da mudança envolve?

Há quatro estágios que formam a conhecida curva da mudança, quando se trata da GMO:

  • Status quo;
  • Disrupção;
  • Exploração;
  • Reconstrução.

Status quo

É representado pelo momento atual da empresa, que gera algum nível de ansiedade em todos os envolvidos como: estímulo à mudança; negação da necessidade da mudança; incertezas quanto ao novo e temor da perda de controle.

Disrupção

Esse estágio representa o gatilho para a mudança a partir de um acontecimento e em que é decidida a realização de um projeto.

Mas não será um processo simples, os grupos tendem a se mostrar desiludidos quanto ao novo e até a rejeitar o projeto, antes de se decidirem pela implantação.

Exploração

Esse processo é marcado como a exploração da mudança para confrontá-la negativamente, mas acaba gerando descobertas inesperadas sobre os aspectos positivos em torno do novo ou até mesmo diante de alguns resultados.

Reconstrução

Esse é o momento marcado pela consolidação da mudança e todas as partes interessadas começam a se beneficiar realmente de forma contínua do novo modelo, processo, tecnologia, etc.

Como superar a resistência às mudanças em uma empresa?

Lidar com as mudanças não precisa ser algo radical, pode ser realizado em etapas e é claro que algumas atitudes são fundamentais para ajudar as empresas a implantar o novo de forma bem-sucedida.

Compreendendo as mudanças

Para superar a resistência às mudanças em uma empresa é preciso entender quais serão as novidades e a razão para isso.

Conhecer o novo evita o medo do desconhecido e diminui a sensação de ansiedade de que a mudança não seja algo positivo.

Envolva todas as equipes

É importante que todas as equipes sintam-se parte do processo, ou seja, a empresa precisa deixar claro a cada integrante sobre como cada expertise poderá ser envolvida no processo da mudança.

Ouça o que as pessoas dizem

Empresas precisam deixar o canal aberto para que as pessoas possam se expressar quanto às dúvidas ou receios das mudanças. São as pessoas que terão de lidar com as mudanças no dia a dia, por isso, tirar as dúvidas e dar todo o apoio no processo de implantação é essencial.

Cartas na mesa sobre pontos positivos e negativos

É fundamental deixar claro sobre os aspectos positivos e negativos das mudanças e o quanto exigirão compreensão no momento da transição para o novo. Ter essa clareza amenizará os impactos.

Invista em treinamentos

Orientar as equipes, investir em treinamentos, workshops, etc., é essencial para o processo de adaptação das pessoas ao novo modelo de trabalho.

Além disso, tenha definido quais gestores têm maior facilidade de comunicação e poderiam ser os porta-vozes da mudança, traduzindo todos os vieses do novo momento à realidade dos colaboradores no negócio.

Respeite o tempo de adaptação

Toda mudança leva tempo até ser compreendida e aplicada em toda a empresa e, para isso, é fundamental ter um cronograma de implantações que alinhe as informações junto à equipe para evitar inseguranças quanto à nova rotina.

Invista em uma comunicação estratégica

Para superar a resistência às mudanças em uma empresa, é importante contar com uma comunicação alinhada. Ter uma equipe que faça um bom endomarketing é essencial.

Mudar é necessário e pode ser feito com planejamento

São muitas as motivações para a mudança e dentre as principais está a adoção de soluções tecnológicas (automação de processos, machine learning, inteligência artificial, etc.). Nenhuma empresa quer ficar para trás no mercado, mas as mudanças não precisam ser feitas drasticamente, podem ser implantadas com planejamento e de forma gradual.

Você está pronto para mudar? Saiba que isso pode ser feito com o apoio de especialistas experientes para tornar o processo mais flexível a todos.

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