Em períodos de turbulência na economia movidos por diferentes causas, os profissionais tendem a se preservar para evitar riscos no ambiente de trabalho. É isso o que mostra o artigo Make It Safe for Employees to Speak Up – Especially in Risky Times (tradução livre – Torne Seguro para os Funcionários Falarem – Especialmente em Tempos de Risco).

O artigo foi escrito pelos pesquisadores Constance Noonan Hadley,  Mark Mortensen e Amy C. Edmondson e relata que em tempos caóticos é natural que as pessoas evitem correr riscos no ambiente de trabalho, demonstrando maior relutância para relatar erros, fazer perguntas, sugerir ideias ou realizar críticas.

Mas apesar dessa realidade, os pesquisadores apontam que tempos difíceis representam uma oportunidade para promover a segurança psicológica entre as organizações.

Mas afinal, o que é a segurança psicológica?

termo ganhou força no final da década de 1990, quando a mesma pesquisadora do artigo recente citado acima, Amy C. Edmondson decidiu tentar entender a relação entre falhas médicas e times de trabalho em um hospital americano.

No início da análise, a pesquisadora acreditava que quanto melhor fosse a equipe, menos erros cometia, mas foi então que veio a surpresa, com a descoberta de que as equipes mais coesas tinham uma característica em comum – cometiam o maior número de erros.

Sendo assim, a conclusão do estudo não foi de que apenas os times coesos cometiam mais erros, mas que estavam mais dispostos a falar sobre eles.

Por muitas décadas foi reforçada a ideia no ambiente de trabalho de que era preciso “evitar o erro”, afinal isso poderia levar alguém a “ser despedido” e o que se tinha no ambiente organizacional era um comportamento predominantemente regido pelo medo, pela sensação de que ao primeiro passo fora do padrão esperado, corria-se o risco de ser reprimido.

Uma empresa que deseja ser bem-sucedida e um local seguro para que os profissionais possam se desenvolver e crescer, deve se preocupar com a segurança psicológica.

Organizações que vivenciam a segurança psicológica em sua cultura favorecem um ambiente em que os profissionais se sentem livres para compartilhar suas ideias, opiniões e medos, sem que exista constrangimento devido a julgamento ou exposição de colegas.

Ambientes seguros incentivam profissionais para que sejam mais autênticos e criativos em suas atividades, ou seja, convida as pessoas a serem elas mesmas.

Você já passou por alguma situação em que fora do ambiente de trabalho, com os colegas em um happy hour, por exemplo, alguém se surpreendeu com o seu humor ou disse que você era bem diferente do que parecia no escritório?

E isso é mais comum do que se imagina porque por muito tempo foi reforçada a ideia de que era preciso “ser profissional” no ambiente de trabalho e deixar do lado de fora a vida pessoal, sendo assim, as pessoas pouco sabiam umas das outras e se surpreendiam a qualquer oportunidade fora do ambiente de trabalho.

Somos seres integrais e complexos, sendo assim, por que no ambiente de trabalho deveríamos ser fragmentados ou “engessados”?

A segurança psicológica é um conceito que reforça a necessidade de uma jornada de confiança entre organizações e pessoas à base de humanidade.

Além disso, muitas lideranças, principalmente em modelos mais verticalizados, traziam a ideia para as suas equipes de que era preciso evitar o erro, o que impedia as pessoas de se desenvolverem, afinal, o erro faz parte de todo processo de aprendizado e evolução.

Como se cria ambientes seguros nas organizações?

Tanto em minha trajetória como profissional no mercado corporativo quanto em minha atuação como consultor empresarial à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, percebo o quanto a segurança psicológica é imprescindível.

Nos atendimentos a empresas, é essencial ouvir diferentes perspectivas dentro da organização, sendo assim, a segurança psicológica e a relação de confiança entre a empresa e pessoas precisa existir, onde haja liberdade para se expor, para aprender e se desenvolver continuamente.

Mas como promover a segurança psicológica nos ambientes organizacionais?

O conceito está baseado em três pilares:

  • Permitir que as pessoas cometam erros e possam aprender e crescer com eles;
  • Reconhecer que “só erra quem faz” e que erros farão parte do processo;
  • Ser um ambiente em que as pessoas sejam livres para tirar dúvidas.

Além disso, são sugeridos alguns passos para a construção de ambientes organizacionais mais seguros e destaco alguns deles:

Criar o espaço de segurança

O ambiente de segurança psicológica precisa nascer a partir do engajamento de todas as pessoas e não apenas por um mero formalismo ou por ser uma “tendência”.

É preciso compreender o que cada pessoa considera essencial para uma boa convivência para que essas visões possam ser consolidadas, criando um ambiente transparente e em que as pessoas sintam-se abertas para ser quem são.

O trabalho colaborativo é um dos caminhos para isso, pois parte da ideia de que a responsabilidade de um projeto está nas mãos de cada pessoa, sendo assim, todos devem ter voz.

Lideranças pautadas na segurança psicológica

A liderança precisa ser o primeiro pilar na organização que demonstra na prática o conceito de segurança psicológica.

A liberdade dos líderes em expor sua vulnerabilidade, por exemplo, é uma demonstração aos profissionais do quanto podem ser honestos consigo mesmos e com as pessoas ao redor.

Além disso, é fundamental que as pessoas sintam-se livres para ser quem são, para assumirem integralmente sua personalidade e para cometerem erros, sem medo de punição, afinal, toda evolução é resultado de falhas ao longo do caminho.

Valorização dos pequenos avanços

A segurança psicológica é uma jornada e para muitas empresas isso é muito novo, sendo assim, o processo precisa ser vivenciado dia após dia.

Aos poucos, as pessoas, sentindo que fazem parte de um ambiente de acolhimento, se sentirão cada vez mais seguras para ser quem são, em suas forças e fraquezas, enquanto profissionais e seres humanos.

Escuta ativa

O que as pessoas estão pensando e o que estão dizendo? Sua organização tem prestado atenção nisso?

As pessoas querem ser ouvidas e quando se fala na boa comunicação, esse é um pilar fundamental: escutar o que as pessoas têm a dizer.

É esse espaço que permite novas ideias e inovações, ou seja, ambientes seguros não só favorecem o desenvolvimento das pessoas, como também impactam na evolução da empresa no mercado.

Autonomia aos profissionais

Organizações do mundo todo estão recorrentemente pensando em como podem melhorar o desempenho de suas equipes e um dos caminhos para isso está na autonomia aos profissionais.

Mas as pessoas precisam se sentir seguras para cometer falhas e experimentar, sendo assim, para que se possa vivenciar a autonomia na prática é fundamental que haja um ambiente seguro.

Governança corporativa gera segurança no ambiente profissional

A governança corporativa é essencial para a criação da segurança psicológica organizacional, afinal, orienta as melhores práticas de gestão e endossa a necessidade de ambientes corporativos cada vez mais plurais e humanos.

Quando as pessoas sentem-se autônomas, é natural que também se sintam mais motivadas a continuarem se desenvolvendo em seu ramo de atuação, trazendo não apenas benefícios às empresas nas quais atuam, mas a si mesmas.

A governança propõe espaços organizacionais seguros, relações baseadas na transparência e na confiança e torna a troca entre os pares em uma dinâmica repleta de bons frutos às empresas.

Sua organização é um ambiente seguro?

 

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