Um novo ano descortina e, com ele, a pauta de demandas é atualizada.  Quais serão as principais necessidades para este ano? Quais problemas seguem desafiadores às organizações ao redor do mundo?

Os conselhos de administração têm muito trabalho pela frente junto à responsabilidade de trazer às organizações o foco das questões estratégicas mais urgentes da atualidade.

Com ampla experiência no cenário corporativo, à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, como conselheiro e responsável por implantar a governança corporativa estruturada e ESG em empresas de diversos segmentos e portes, hoje quero abordar sobre as principais tendências ESG para 2024 e como as empresas devem se preparar para isso.

Tendências ESG que ganham destaque em 2024!

Publicação realizada pela Thomson Reuters ressalta que, embora o ESG tenha se tornado mais popular diante da necessidade do cumprimento de regulamentos e das complexidades em torno da gestão de riscos, espera-se que em 2024 as organizações levem ainda mais a sério os pilares Meio Ambiente, Social e Governança, integrando-os em suas estratégias corporativas a fim de promover a sustentabilidade empresarial.

Já o estudo global “Grandes Mudanças, Pequenos Passos – Relatórios de Sustentabilidade”, da KPMG, mostrou que 86% das 100 empresas com maiores receitas no Brasil, têm informado em seus relatórios sobre as práticas ESG e, deste número, 90% das organizações divulgam metas de redução de emissão de carbono.

Genuinamente ou não, organizações ao redor do mundo têm se dedicado a cumprir com os requisitos de sustentabilidade, afinal, acontecimentos ao redor do mundo também têm impulsionado essa iniciativa. Abaixo, reuni algumas das principais tendências ESG para 2024!

Aumento de investimentos em ESG

Segundo publicação realizada pela consultoria, PwC, de 2021 a 2026, a estimativa é a de que os fundos de investimento globais relacionados ao ESG tenham crescimento de 12,9% ao ano, saindo de US$ 18,4 trilhões para US$ 33,9 trilhões. Ao todo, os recursos voltados a essas iniciativas somam 21,5% do total de ativos no mundo.

É crescente a busca dos investidores por oportunidades de negócio que estejam alinhados aos seus valores ESG.

Veremos recorrentemente por parte do governo e das empresas a emissão de títulos verdes, além disso, as instituições financeiras também tendem a desenvolver cada vez mais produtos de investimento centrados no ESG.

Mais foco em ações climáticas

Fenômenos extremos foram presenciados em 2023 ao redor do mundo, no Brasil, tivemos recordes de temperaturas altas por mais de 50 dias, sendo assim, as preocupações globais e climáticas tendem a aumentar em 2024, com destaque para os esforços quanto à minimização das emissões de carbono (CO2).

Maior transparência na cadeia de suprimentos

O que também se espera para este ano é maior transparência em toda a cadeia de abastecimento e isso por meio do controle dos fornecedores a fim de garantir o fornecimento ético dos materiais.

Com isso, também se espera que os consumidores tenham mais informações acerca dos produtos, o que engloba o consumo consciente.

Avanço da economia circular, energias renováveis e responsabilidade social

Dentre as tendências ESG para 2024 têm destaque a adoção de energias renováveis e a economia circular, promovendo a redução de custos e melhor posicionamento de marca, além de também contribuir com a redução de impactos negativos no meio ambiente.

A responsabilidade social também ganhará ainda mais foco, sendo a transparência, ética e impacto positivo na sociedade, critérios essenciais na avaliação organizacional.

Tecnologia responsável

Em 2023 muito se ouviu falar sobre a Inteligência Artificial (IA), Chat GPT e a automação esteve entre as principais demandas de investimentos entre as empresas ao redor do mundo.

E neste ano, a prioridade continuará sendo o avanço tecnológico, mas levando em conta temas essenciais como a responsabilidade social, a privacidade dos dados e a segurança cibernética. As reflexões sobre ética continuarão entre os principais desafios e oportunidades entre as empresas.

Maior adesão ESG

Outra tendência ESG para 2024 é a de que as empresas que ainda resistem à adoção das práticas sustentáveis sejam direcionadas a isso, motivadas principalmente pela pressão externa por parte da sociedade.

As PMEs que tanto impactam a economia brasileira, também devem se preocupar ainda mais com a adoção de práticas de sustentabilidade que caminhem em conjunto com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Maior valorização da biodiversidade

Em resposta ao movimento da regulamentação de comércio de créditos de carbono, ganharão destaque os produtos que respeitam e valorizam a biodiversidade, ganhando a atenção do movimento de consumo consciente.

Inovação com sustentabilidade

A criação estratégica voltada à inovação também tende ao investimento em pesquisas e desenvolvimento com a finalidade da criação de produtos e serviços que estejam alinhados com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável).

Conselhos em prol de uma evolução que já está ocorrendo!

Ao abordar sobre desafios e oportunidades para este ano, é crucial refletir sobre o papel dos membros do conselho para que importantes objetivos possam ser alcançados.

Quando o tema é ESG e iniciativas climáticas, os conselhos assumem a posição de convidar a organização à reflexão sobre iniciativas climáticas como um instrumento de geração de valor ao negócio.

Temas como quais métricas ESG devem estar presentes na política de remuneração de executivos; as principais tendências de riscos no ambiente organizacional externo e como integrar a análise de riscos no planejamento estratégico empresarial, entre outros, serão recorrentes e imprescindíveis neste ano.

A expectativa é a de que os avanços continuem e de que as questões que foram amplamente discutidas em 2023 possam evoluir para iniciativas práticas e resultados.

Junto às principais tendências, consideramos as imprevisibilidades do mercado, as contínuas mudanças no mundo e eventos inesperados. Temos um ano inteiro pela frente para amadurecer ideias, para repensar ações e colocá-las em prática.

Quanto à comunicação e gestão de crises, os conselhos assumem o encargo da definição de expectativas claras com a alta gestão sobre as comunicações na gestão de crises, aspecto essencial.

Teremos muito trabalho pela frente e responsabilidades como a de questionar se a estratégia de investimento de capital da organização está evoluindo, principalmente em áreas como: digital, inovação, tecnologia, talentos, sustentabilidade, entre outros e como os comitês de assessoramento coordenam os temas.

Temos doze meses para aprender mais, nos aprofundar em novos conhecimentos, nos desafiar enquanto profissionais a sermos sempre a nossa melhor versão.

Aquilo que não foi possível materializar no ano passado, que possa ser conquistado neste ano, no geral, teremos ainda mais pressões, o ESG continuará sendo o calcanhar de Aquiles de muitas organizações, mas a boa notícia é que, com ajuda, é possível tomar as melhores decisões na implementação de boas práticas.

Sua organização já estava em processo de implantação ESG ano passado e precisa amadurecer o projeto? Podemos conversar a respeito deste objetivo. Sua decisão hoje irá nortear o restante do ano!

 

Gostou do conteúdo? Compartilhe. Lembre-se que na MORCONE Consultoria Empresarial pensamos em cada parte do seu negócio, utilizando metodologias e práticas inteligentes. Acompanhe o trabalho do consultor, Carlos Moreira, também no LinkedIn.

Veja também:

Cultura colaborativa dentro do ‘S’ do ESG – muito além do “trabalho em equipe”

Gestão financeira sustentável é um dos grandes desafios entre as empresas brasileiras