Certamente que a liderança vivencia crise de identidade diante de tantas transformações simultâneas ocorrendo no mundo.

Além disso, deve ser considerada a percepção das organizações sobre o que caracteriza uma liderança eficaz, a cultura do negócio e o nível de engajamento das pessoas nas equipes.

Definir um modelo de “liderança ideal” pode soar pretensioso quando se considera as particularidades de cada empresa, sua história e objetivos de mercado, mas quais são os principais caminhos para lideranças mais inspiradoras em uma atualidade incerta regida pelo mundo VUCA, agora mundo BANI?

Com ampla experiência no mercado corporativo, como consultor à frente da MORCONE Consultoria Empresarial auxiliando empresas de todos os segmentos e portes, como conselheiro auxiliando organizações na implantação da governança estruturada e ESG, hoje destaco o valor da liderança eficaz e quais os caminhos para desenvolvê-la.

Principais desafios de uma liderança que acompanha a evolução do mundo

Estamos vivenciando a era da transformação digital, em que a automação de tarefas e a inteligência artificial tem despertado organizações ao redor do mundo sobre como se adaptar a essa realidade, se mantendo sustentáveis em seus processos operacionais e modelo de gestão.

O mundo não para de mudar e, consequentemente, os desafios enfrentados pelas lideranças também evoluem. Adaptação e inovação são palavras de ordem da atualidade, mas, sobretudo, destaco a necessidade de engajar pessoas e de despertar senso de pertencimento e a humanização nas relações.

Especialistas apontam alguns dos principais desafios a serem enfrentados na atualidade, dentre deles:

Realidade do trabalho remoto

A realidade do trabalho remoto tem revolucionado a gestão empresarial, e neste cenário de descentralização do ambiente de trabalho, como desenvolver uma liderança eficaz, engajando e inspirando pessoas também no ambiente digital?

Isso demanda que os líderes desenvolvam uma estratégia de comunicação eficiente, de maneira que estabeleça expectativas claras aos times de trabalho e, para isso, o investimento em novas tecnologias é essencial para que se mantenha o ambiente conectado e propenso às interações.

Despertar o senso de comunidade e colaboração no trabalho remoto é necessário e aqui fica o alerta para que seja prestado o apoio e recursos para que os profissionais possam desenvolver suas atividades de maneira bem-sucedida.

Tecnologias devem servir como ampliação à comunicação e trocas e não como meros instrumentos de controle à distância como infelizmente muitas organizações ainda vivenciam.

Escassez de talentos

Enquanto a economia global continuamente cresce, a demanda por talentos em diversos setores do mercado, também, sendo assim, organizações se veem diante do desafio de encontrar novos talentos.

E neste ponto, os líderes têm papel essencial para o desenvolvimento de estratégias de recrutamento e retenção de talentos. Mas este é um tema mais complexo, afinal, não se conhece integralmente um profissional em minutos de entrevista, essa observação requer avaliação comportamental, de atitudes e desafios que demonstram como a pessoa se comporta diante deles.

Além disso, é preciso compreender as hard skills (habilidades técnicas) e soft skills (habilidades socioemocionais) das pessoas nos times e, a partir disso, também é possível despertar nos profissionais que já atuam no negócio, talentos que nem mesmo sabiam que tinham.

Automação e Inteligência Artificial

Como brevemente mencionado, a liderança eficaz é aquela atenta a esses importantes movimentos da atualidade, assim como deve estar inteirada quanto às questões éticas envolvidas para que essas ferramentas tecnológicas possam ser utilizadas respeitando as leis e regulamentos existentes, reforçando a vivência do “G” de governança presente no ESG.

Como garantir que a empresa se mantenha inovadora no mercado em um cenário cada vez mais competitivo e amplamente digitalizado?

Mudanças na realidade do trabalho

Flexibilidade e adaptação são fundamentais às lideranças atuais em um cenário em que novas formas de trabalho estão emergindo, propondo uma reinvenção organizacional e até mesmo cultural.

É preciso ter um olhar atento às novas oportunidades de trabalho e às contínuas transformações que ocorrem no mercado corporativo. Oferecer oportunidades de formação e desenvolvimento às pessoas para atender a este cenário, é importante.

Liderança de equipes multigeracionais

A liderança eficaz também precisa estar preparada para lidar com quatro gerações: Baby Boomers, Geração X, Millennials e Geração Z, atuando em uma mesma equipe.

O que isso engloba é a complexidade de liderar pessoas com perspectivas, habilidades e valores diferentes que foram moldados de acordo com seu contexto de vida.

A compreensão das necessidades de cada grupo é primordial, assim como a promoção do respeito, a troca de conhecimentos e de experiências. Como extrair o melhor de cada membro do time?

Promoção de cuidados quanto à saúde mental

Ser um ambiente de trabalho inclusivo e que prioriza a saúde mental dos colaboradores é fundamental, mas para isso, é preciso investir em programas e recursos que apoiem o bem-estar das pessoas.

A liderança eficaz é aquela que está atenta às necessidades de cada pessoa, que de fato oferece um ambiente acolhedor de escuta ativa.

Pessoas emocionalmente fortalecidas se tornam mais motivadas em suas atividades e, além disso, tendem a se sentir mais pertencentes à medida que observam os esforços genuínos da organização em que atuam para que se sinta bem e para que possa atuar de maneira saudável.

Como conselhos podem praticar a liderança eficaz e estimular os líderes na organização em que atuam?

Recentemente abordei sobre o conselho que lidera com senso de propósito que deve reunir as premissas: Propósito vem antes da organização; Responsabilidade pelo ecossistema organizacional; Mentalidade equitativa e Voz e poder legitimados.

Os conselhos assumem o papel de “coração” do sistema de governança, e à luz do ESG (tripé Meio Ambiente, Social e Governança), sua liderança tem o desafio de proteger e gerenciar as expectativas dos stakeholders e os interesses dos acionistas.

Os papéis de liderança atribuídos ao conselho administrativo ou consultivo, podem ser resumidos em quatro pilares:

  • Liderar a estruturação da Governança;
  • Liderar o líder (CEO);
  • Liderar o desenvolvimento de talentos junto ao CEO;
  • Liderar o direcionamento e controle da Organização.

A dinâmica de liderança dos conselhos passa pelos pilares “confronto X consenso” e, muitas vezes assume o posicionamento de trazer as lideranças para o objetivo e de atrair as organizações para o seu propósito.

Muitas vezes a figura do conselho nem sempre será “bem recebida” pelo negócio, já que o caráter de confronto é parte de sua atuação, convidando as lideranças a observarem a realidade do negócio e a se nortearem com foco nos objetivos que foram definidos inicialmente.

Vale destacar a importância da multidiversidade nos conselhos, tanto relacionada às diferentes gerações, quanto à variedade de expertises e experiências (pessoais e profissionais) que tornam os conselhos cada vez mais plurais, dinâmicos e eficazes no direcionamento das tomadas de decisões.

E não podemos nos esquecer da relação da liderança da organização com o board de conselheiros, o que impõe a necessidade de alguns passos, como:

  • Aproximação pessoal com cada membro do conselho;
  • Promoção de encontros informais com os membros do board para uma boa dinâmica;
  • Diante de temas complexos, procure “testar” a ideia antes com membros mais influentes no board;
  • Estabeleça agenda de reuniões com menos foco no passado e mais no presente e futuro.

Em tempos de crise e de constantes mudanças no mundo, a arte de liderar se torna mais complexa e seja quais forem as abordagens utilizadas, falhas com certeza ocorrerão no caminho, mas também compõem a liderança eficaz a capacidade de rever posturas e de corrigir rotas ao longo do caminho.

Lidar com pessoas requer acima de tudo, flexibilidade e, claro, humanidade. A liderança eficaz é humanizada, considera a individualidade de cada pessoa, mas também tem a capacidade de unir propósitos e de estabelecer a coletividade.

Quer ser um bom líder? Aprenda a exercitar algo aparentemente simples: escute as pessoas.

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