Segundo dados da 4ª edição da pesquisa Retratos de Família: Um Panorama das práticas de governança corporativa e perspectivas das empresas familiares brasileiras, realizada pela ACI Institute e Board Leadership Center da KPMG no Brasil, foi mostrado que empresas familiares brasileiras têm adotado cada vez mais práticas de governança corporativa.

A mesma pesquisa também mostrou que embora muitas destas empresas se sintam menos otimistas quanto ao futuro em comparação ao momento antes da pandemia, estão cada vez mais abertas ao próprio desenvolvimento, buscando maior qualidade da gestão dentro do processo de profissionalização.

Com mais de 35 anos no mundo corporativo e desde 2015 à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, hoje trago um artigo falando sobre o valor da governança corporativa e o fortalecimento a empresas familiares.

Há algum tempo tenho escrito principalmente sobre governança corporativa (GC), por conta da minha atuação em conselhos de administração em empresas como conselheiro consultivo (PJ) e estatutário (PF) e, também pela atuação como consultor na implantação da governança corporativa em empresas de diferentes portes e segmentos.

Julgo necessário escrever sobre este tema também por presenciar, na prática, os benefícios da GC, principalmente na resolução de conflitos específicos em empresas familiares.

Governança Corporativa na geração de valor às empresas

Muitas empresas perdem por não contar com uma boa governança e durante muito tempo havia uma crença de que esta deveria ser uma preocupação apenas de empresas de grande porte, mas hoje sabemos da importância da GC em empresas de todos os portes e segmentos.

Os princípios básicos presentes na governança corporativa: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa são valores que juntos trazem inúmeros benefícios às empresas, sobretudo, às empresas familiares que carecem de formalização e padronização em sua gestão.

Os códigos da GC nada mais são do que, como o próprio IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) declara, do que um sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo o relacionamento entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas.

Já a governança familiar, também de acordo com o IBGC, é o sistema pelo qual a família desenvolve suas relações e atividades empresariais, com base na sua identidade (valores familiares, propósitos, princípios e missão) e no estabelecimento de regras, acordos e papéis.

Pode-se compreender que o sistema tradicional que compõe a governança corporativa passa por uma adaptação na aplicação relacionada a empresas familiares.

O valor da governança corporativa está principalmente no fortalecimento da modalidade de negócios familiares e, quando os dois conceitos são aplicados em uma empresa, de maneira clara, ocorre o alinhamento e harmonização dos processos, gerando um equilíbrio entre a empresa e públicos de interesse.

Minimização de conflitos e crescimento no mercado

Um dos principais problemas enfrentados por empresas familiares são os conflitos, muitos deles movidos ao grau de parentesco entre gestores e sócios. O valor da governança corporativa aplicada nestes modelos de negócio leva a importantes benefícios que convergem para a minimização de conflitos, como:

  • Incentiva colaboradores e reforça as responsabilidades;
  • Apresenta práticas que orientam o negócio;
  • Reduz a probabilidade de desconfiança entre familiares (tendo em vista que a transparência é um dos importantes pilares da GC);
  • Apresenta um modelo claro que separa gestão de propriedade (o que evita conflitos, principalmente ligados à sucessão);
  • Apresenta planos para que a organização possa aumentar em lucratividade.

A aplicação da governança em empresas familiares age sobre tensões e relações assimétricas, o que também leva à preservação das relações familiares e, claro, ao crescimento da empresa no mercado.

Empresas que contam com GC também geram maior confiabilidade a seus públicos, resultado de seriedade em seus processos e maior imparcialidade em suas relações internas.

Um dos maiores desafios para empresas familiares é conseguir separar as questões familiares e emoções envolvidas nessas relações dos processos que regem o negócio. A governança também tem o papel de ‘sacralizar’ o negócio, colocando-o em um nível impermeável quanto aos relacionamentos familiares.

Em um caso de captação de recursos para a expansão da empresa ou de busca por novas parcerias, até mesmo junto a empresas internacionais, contar com boas práticas de GC é muito importante para consolidar acordos.

De que maneira começar?

A GC metaforicamente age em uma empresa ‘colocando ordem na casa’, ou seja, tudo aquilo que estiver bagunçado, gerando desordem, vai sendo resolvido para que uma gestão transparente e próspera seja a cereja do bolo da empresa.

Contar com um profissional externo para o processo de instauração da governança costuma ser indicado, principalmente em empresas familiares, que demandam ainda mais de uma visão que seja imparcial ao que ocorre nas dependências do negócio.

Seja na instauração do conselho de administração ou até mesmo de um conselho consultivo, contar com profissionais externos para nortear a empresa é recomendado.

O que não se pode é ignorar o quanto a governança enriquece a gestão de uma empresa e a torna mais apta para galgar novos degraus rumo à ascensão.

Como especialista em governança corporativa e um constante estudioso do tema, oriento empresas, sejam elas familiares ou não, que se querem não apenas se manter no mercado, mas expandir, que comecem a ‘arrumar a casa’ e a se prepararem para uma trajetória perene, mas adianto: sem governança corporativa, não vejo essa possibilidade, porque são as boas práticas que levam às melhores decisões.

 

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Veja também:

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Diferença entre Conselho Consultivo e Conselho de Administração na Governança Corporativa de empresas familiares