O futuro pode ser previsto? Peter Drucker acredita que “a melhor forma de prever o futuro é criá-lo”.

E embora não se possa “adivinhar” o que irá acontecer, é possível construir cenários baseados em diferentes contextos, além disso, tomar decisões assertivas “hoje” também reflete sobre os objetivos de longo prazo de uma organização.

Existem importantes pontos a serem considerados sobre o futuro:

  • Considerar o futuro é a visão maior para a organização. Se relaciona com o objetivo de longo prazo e ao estado de constante mudança e incertezas e a como esse contexto se aplica à realidade do negócio.
  • Sem um estado futuro “definido”, a empresa fica sem direcionamento, o que a afeta em casos de tomadas de decisões rápidas, provocando o desalinhamento entre os executivos e dificultando o progresso da missão da empresa;
  • Para que uma organização consiga definir e alcançar seu estado futuro, precisará se submeter a uma série de exercícios de mapeamento de processos de seu estado atual de negócios e como será no futuro.

Porém falar em visão de futuro se torna altamente desafiador à medida que o que se vivencia no mundo é um estado de incertezas e caos, como o próprio conceito BANI (sigla em português: Frágil, Ansioso, Ansioso, Não Linear e Incompreensível), criado pelo antropólogo e futurista norte-americano, Jamais Cascio para expressar o caos imprevisível enfrentando no mundo devido à pandemia de Covid-19.

A fragilidade a qual as pessoas ficaram expostas durante a crise de saúde pública, as fez ter que tomar decisões rápidas que ainda não estavam preparadas para e, claro, essa realidade impactou grandemente o cenário corporativo mundial.

Empresas que nunca consideraram metodologias ágeis passaram a incorporá-las em suas estratégias de gestão, sem contar a descentralização do ambiente do trabalho por meio da vivência do trabalho remoto, que foi uma novidade para milhares de trabalhadores no cenário brasileiro.

Era impossível prever o caos instaurado em 2020, mas verdade é que as organizações que conseguiram se manter foram aquelas que não paralisaram diante do problema, pelo contrário, tomaram decisões rapidamente e acompanharam a tendência digital como caminho para a sua sobrevivência e, mais do que isso, expansão no mercado.

O caminho para lidar com cenários de incerteza ainda está no exercício de cenários prospectivos, algo que muitas organizações têm começado a incorporar em sua gestão, partindo dos conselhos de administração a todas as esferas do negócio.

Como as empresas podem se preparar para lidar com as incertezas?

Em um cenário de alta complexidade, o Foresight, também tratado como futurismo ou estudos do futuro, é uma disciplina que reúne especialistas do mundo todo para auxiliar organizações públicas e privadas a lideram com o futuro, seja ele como for.

A futurista brasileira, Rosa Alegria, especialista em prospectar mudanças e tendências na era da Indústria 4.0 e Mestre em Estudos do Futuro pela Universidade de Houston, nos Estados Unidos, acredita que existem orientações que podem ser seguidas pelas empresas para que possam se preparar para o futuro:

Não tenha medo das incertezas – É preciso que as lideranças se preparem para traçar estratégias pautando-se em possíveis cenários futuros, desta forma, as incertezas se tornam menos desafiantes, abrindo a perspectiva das organizações para novos horizontes e conferindo maior disposição para as mudanças.

 Amplie os caminhos da sua empresa – Empresas precisam ser plurais e considerar, diante da contínua transformação tecnológica, o que poderiam oferecer de novo ao mercado ou quais novos segmentos poderiam ser explorados.

Planejamento estratégico de longo prazo – Muitas organizações estão acostumadas a planejamentos de médio e curto prazo, para dois ou cinco anos, e é comum que se olhe mais para o passado do que para o futuro “incerto”, mas é preciso olhar para o hoje e principalmente para as tantas transformações da quarta revolução industrial, principalmente sob a perspectiva do pós-digital e da automatização de processos.

Já a Mestre e Doutora, Elaine C. Marcial, também professora à frente do Grupo de Pesquisa e Estudos Prospectivos da Universidade Católica de Brasília (NEP-UCB) explica sobre os cenários prospectivos, considerando os “possíveis futuros”, exercício imprescindível para o “olhar em longo prazo”.

“A prospectiva orienta que a visão sobre os cenários futuros precisa ser sistêmica, sendo assim, devem ser priorizadas grandes tendências, principais incertezas, quais são os principais atores envolvidos e como tudo se integra de forma sistêmica, porque o mundo é como um tabuleiro de xadrez em que ao mexer em uma peça, as demais são impactadas”, acredita a especialista.

O exercício de cenários prospectivos parte da premissa de que, a partir de informações privilegiadas baseadas em diferentes possibilidades de futuro, organizações podem tomar as melhores decisões “hoje”.

Visão de futuro “hoje” como parte do exercício do board entre as organizações

Conselhos de administração e seus principais temas em pauta serão afetados pelas principais tendências até 2030 e dentre elas, estão:

  • Balanço entre propósito da empresa vs retorno do investimento (ROI) para acionistas;
  • Democratização no acesso à informação;
  • Tecnologia e digitalização;
  • Velocidade e volatilidade (ciclos mais curtos de mudança);
  • Ativismo;
  • Relação com o conhecimento.

Já quanto aos temas que deverão receber maior atenção nos próximos anos, estão:

  • Composição do conselho, perfil e competências (na formação, desenvolvimento e qualificação dos membros) e prazos e critérios de renovação;
  • Dinâmica de trabalho, dedicação e disponibilidade de agenda, assim como o processo de phase in & out dos conselheiros;
  • Papéis e responsabilidades dos conselhos, atribuições de cada um dos membros e relacionamento junto aos stakeholders;
  • Atuação do conselho na gestão e gerenciamento de riscos, compliance, ética, conduta e conflito de interesses;
  • Avaliação, reconhecimento, remuneração e recompensa (contribuição e desempenho).

Porém o conselho não assume papel unicamente passivo frente às principais demandas, mas também é desafiado a trazer para a pauta sua visão de futuro, por meio das diferentes perspectivas dos profissionais que compõem o board.

O conselho não atua apenas para garantir o cumprimento das principais pautas já discutidas, mas é o responsável também por apresentar importantes direcionamentos para ações futuras.

 

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